Aline Alencar

A balança entre o suporte e o suportar

A coluna de hoje eu dedico aos amigos de décadas, de meses e aos futuros amigos. Todos, espero eu, estarão comigo até o fim da vida, seja longe ou perto materialmente. Eu queria escrever coisas lindas sobre amizade, mas estaria sendo demasiadamente falsa, ou fora da realidade.

Amigos são na verdade para suportar e nos dar suporte. Ambos os tempos adverbiais estão separados apenas por uma linha tênue. O limite de suportar, creio eu, fortalece mais o vínculo do que o de dar suporte. Podemos muito bem ser leais, aconselhar, entre outros fatores positivos, porém sem termos nada em troca.

São os dias ruins que nos mostram a amizade. Seja ela melhor, mais longa, próxima ou distante. Tenho amigos em todos os cantos das mais variadas intensidades do que chamo de “querer bem”.

Voltando ao suportar e ao ato de dar suporte, um concilia o outro, embora anteriormente tenha dado destaque ao primeiro. Mas quem não tem amigos dos mais variados tipos e convive em muitas situações? Cabe a cada um perceber e receber bem ou não seus defeitos, mais que suas qualidades.

Temos aqueles que não são os mais intelectuais, mas dedicados, protetores e leais, te tratam como irmão de sangue. Este, nos dá o suporte, nossa contrapartida no suportar é não corrigi-lo a todo momento, é perceber a balança de que suas qualidades superam um defeito moralmente linguístico e semântico.

O sarcasmo é uma característica que toma conta de muitos. Cabe ao suportar, considerar os momentos de verdadeira gentileza e amabilidade da pessoa quando ela realmente gosta de você.

Há aqueles amigos com mania de organização exacerbada, de não deixar colocar o pé na mesa de centro da sala. Cabe ao nosso retorno enquanto amigos preservar nesta pessoa suas qualidades de “mãe”, ou seja, aquele ou aquela que, embora metódico, é receptivo, sempre com um abraço acolhedor acompanhado de uma comida quentinha e caseira para lhe oferecer.

Estes estão por toda parte: os nerds. Acabam sendo arrogantes por tanta inteligência, além de alguns terem notas de mimo dos pais por conta dos altos boletins na escola, causando-lhes um ar às vezes infantil. Mas nestes podemos encontrar a sinceridade e a percepção de quem nem todos tiveram o que ele teve na vida e saber retribuir bem com gentilezas sutis.

Destes mimados também não só encontramos os nerds. Os ricos de nascença que nunca souberam o que é lavar uma louça na vida, lhe faltando até certa organização. Contudo, podemos encontrar nestas pessoas a humildade de aprender que a vida não é só sacolas de shopping, mas o que há de bom dentro da gente. Acredite, algumas sabem bem o que é ser apenas valorizado apenas por fora.

Há aqueles amigos também que têm a aura inocente, mas só a aura mesmo.  Chega a dar medo, mas com tamanha esperteza e destreza camufladas, há um poder apaziguador extremo pela grande facilidade de conversar e convencer. Muitas vezes, é o elo em um grupo de amigos.

E estas definições podem se misturar umas com as outras nos mais diversos tipos de amigos. Novamente e finalmente, cabe a cada um avaliar se o defeito pesa mais que a qualidade ou vice-versa. Amizades podem ser bênçãos e ao mesmo tempo cansativas. Basta ser humano e ter que conviver com muitos deles. O que diferencia é apenas o nosso olhar e a nossa a balança diante deste trajeto inevitável.

 

Até à próxima coluna!

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