Aline Alencar

A fé que move a coragem

Nunca fui das pessoas mais religiosas durante toda a minha vida. Até mesmo criança, perto da idade de fazer catequese (fui criada em uma família católica), era praticamente um sacrifício para minha mãe conseguir me convencer a ir às aulas na igreja e finalmente fazer minha primeira comunhão. Mas, depois de muito insistir fiz tudo nos trâmites dos dogmas religiosos.

Contudo, no decorrer deste caminho religioso no qual minha mãe me forçava trilhar, eu só ia vendo ou talvez crendo que aquilo não era muito, digamos, a minha praia. Talvez, o primeiro sinal foi o menino que não quis segurar minha mão ao rezar o “Pai Nosso”, no dia da quase empurrada com a barriga Primeira Comunhão.

Mas, os anos passam e vemos a vida com outros olhos até mesmo para estes pequenos contratempos do passado. Continuo a ver religião como sempre observei desde a infância, isto é, com certo receio, mas atualmente, um novo horizonte se abriu, e creio que, na verdade, ele sempre esteve aqui: o horizonte da fé.

Porém não falo da fé dos discursos de padres, pastores, rabinos e afins. Falo da fé no amanhã. Falo da fé no próximo. Falo da fé no que o íntimo diz qual medida tomar diante de alguma situação. Temos muito intelecto, mas não temos fé em nós mesmos, por exemplo. E isto, meus caros, é uma pedra nos objetivos da vida.

A fé, por exemplo, reside em mim desde quando acordo e faço o sinal da cruz e ando com os terços que minha mãe me dá, ainda que eu nunca mais tivesse botado o pé em uma igreja que não fosse para fazer uma matéria de jornal. Mas residem as boas intenções e, sobretudo, o sentimento de proteção às quais ela me deseja e nestas pequenas contas de rosário e os ensinamentos de orações que até hoje carrego comigo.

A fé me alcança quando alguém me deseja o bem e eu desejo o seu em dobro. A fé nos encontra quando, mesmo depois da história nos mostrar que tempos difíceis de intolerância e preconceito são ciclos que retornam e, às vezes estamos despreparados, ainda conseguimos ter solidariedade e manter um resquício de humanidade.

Assim vamos resistindo ao mundo, mesmo sabendo não ser fácil lidar com ele e com a vida. De fato, ser resiliente é um dos 12 trabalhos de Hércules para se viver.

Mas, este tipo de fé que vos falo é a que nos move e nos dá coragem como seres humanos com capacidade para o bem, ainda que às vezes nos esqueçamos disto. Tenham fé na bondade que ela terá fé em você.

Até a próxima coluna!

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