Aline Alencar

A morte nos ensina a viver

É estranho falar de morte quando nunca perdi um parente que amo próximo a mim. O máximo que já senti da dor da perda foi com duas hamsters que amei muito e uma delas morreu no meu colo. Chorei como criança, mas porque, enfim, senti a vida se esvair pelos meus dedos e aquilo me doeu mesmo sendo de um corpo tão pequenininho.

Imagina quando eu, de fato, perder alguém. E é algo que sei não tarda a acontecer, pois a morte é o curso da vida. A linha final que tanto tememos.

Mas, por mais assustadora que seja, a morte nos ensina sobre a vida e como vivê-la. Creio que seja um dos mais belos paradoxos existentes e eternos enquanto eterna for a vida na Terra.

E vim com este texto falar deste paradoxo lindo e assustador. Já falei anteriormente sobre gentileza, mas agora falo aos que querem cuidar e preservar um amor próximo, seja o amor carnal, fraternal, maternal, paternal e de outras tantas formas que vão além do laço sanguíneo, antes deste amor partir desta vida.

O medo de perder alguém importante já deveria servir de combustível para entendermos que nossas palavras são nossas maiores fontes mágicas. Capazes de curar e de causar danos inimagináveis.

Estou parafraseando a escritora J. K. Rowling, pois foi com ela que aprendi isto antes de perder alguém. Mas aprender de fato ninguém nem eu nunca aprende. Durante o viver vamos sempre prestar palavras de conforto e de selvageria a alguém. É natural.

A questão é tentar errar menos e curar mais alguém, seja com palavras ou com gestos simples como cuidar da gripe dro próximo levando um chá quente; cozinha o jantar depois de um dia longo e difícil, entre outras ações. Pois, Como todos sabemos – creio eu -, é só o que fica depois que nós vamos: as palavras, os gestos e as lembranças, boas ou ruins, que ficam na memória do outro.

Cabe a cada um cuidar da lembrança que você quer preservar, seja em quem vai ficar e até mesmo em quem vai partir.

Até a próxima coluna!

Deixe uma resposta