Após noite em SP, Joesley e Saud são transferidos para Brasília

A dupla passou a noite na capital paulista, atendendo ao pedido de prisão temporária de Janot, decretada pelo ministro Edson Fachin, do STF

Presos no domingo, o sócio Joesley Batista e o executivo Ricardo Saud serão transferidos no início da tarde desta segunda-feira para a carceragem da Polícia Federal em Brasília. A dupla passou a noite na superintendência da PF em São Paulo, atendendo ao pedido de prisão temporária do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, decretada pelo ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal.

As autoridades usaram o tempo de prisão para apurar supostos crimes que Joesley e Saud “confessaram” em áudio entregue ao Ministério Público Federal (MPF) na semana passada.

Uma operação conjunta da Polícia Federal e do MPF fez buscas na casa de Joesley, em São Paulo.

Os cinco dias de detenção, prorrogáveis por mais cinco, serão de cobrança intensa para Janot. Com mandato até o dia 17 de setembro, o procurador-geral precisa dar uma definição aos questionamento de anulação do acordo de delação dos executivos da J&F com a procuradoria, enquanto resolve uma porção de denúncias que apresentou e ainda apresentará nos próximos dias, entre elas a aguardada segunda denúncia contra o presidente Michel Temer.

A onda de cobranças ao procurador continua. Nesta segunda-feira, a Folha de S. Paulo publica uma entrevista do ministro da Justiça, Torquato Jardim, em que ele afirma que “a prisão de Joesley Batista e Ricardo Saud “terá consequências graves para a credibilidade do processo”, e lamenta a “falta de preparo” da procuradoria para colher delações.

No domingo, um dos advogados de Joesley e Saud, Antonio Carlos de Almeida Castro, atacou em outra frente. “Não pode o Dr. Janot agir com falta de lealdade e, insinuar que o acordo de delação foi descumprido. Os clientes prestaram declarações e se colocaram sempre à disposição da Justiça”, diz Kakay. “Este é mais um elemento forte que levará a descrença e a falta de credibilidade do instituto da delação”.

Já na semana passada, parlamentares e políticos de PT e PMDB, alvos de denúncias, disseram que o procurador deixará o cargo “desmoralizado” e bateram forte na tecla que delatores são “mentirosos”, baseados nas omissões de crimes da dupla Joesley/Saud.

Em até sete dias, Janot terá que explicar ainda o papel de Marcello Miller nas relações entre o grupo J&F e o MPF. Também nesta segunda-feira, a Polícia Federal faz buscas na casa de Miller, no Rio de Janeiro.

Fonte: Revista Exame

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