Aline Alencar

Apresse o passo da gentileza

Ninguém precisar ser o Super-Homem, afinal estamos sujeitos a falhas, apenas sejam gentis

Se existe uma coisa presente no nosso cotidiano, o nome dela é pressa. Na contramão, os atos de gentileza se dissipam nos costumes e nos esbarrões de ombros na correria da faixa de pedestre. E chega a ser irônico o começo deste texto, haja vista que a coluna atrasou uma semana por conta da danada pressa do dia a dia.

Mas vamos lá!

Estamos acostumados (ou desacostumados, depende do ponto de vista) a não ser gentis e, por consequência, não sabermos lidar com a gentileza quando ela resolve dar o ar da graça.

Digo isto porque, certa vez no supermercado, resolvi entregar a sacola de plástico para frutas a uma moça com uma criança no colo e ela se assustou com a atitude. Como eu estava na frente dela, achei melhor ela receber logo a sacola. Não somente pela criança no colo, mas porque facilita a vida de qualquer pessoa e que mal isso iria me fazer?

Mas para a pessoa, que com os olhos arregalados me deu essa certeza, a gentileza não é algo costumeiro dela receber ou talvez ela mesma praticar por aí. Em um mundo cibernético, apressado e selvagem na sobrevivência, a humanidade é posta de lado.

E a gentileza é um destes pontos que caracteriza o ato de ser humano. É cansativo? Ninguém disse que era fácil e nem todo dia o humor ajuda, mas ninguém tem nada a ver com os nossos problemas.

O mundo anda pesado e as pessoas também, por dentro e por fora. Mas você, e somente você escolhe se ajuda a ser este peso ou a pena. O que vale mais?

Ninguém precisar ser o Super-Homem, afinal estamos sujeitos a falhas, porém elas só não podem nos dominar por completo. Apenas sejam gentis.

Ajudar alguém a carregar uma sacola de compras ou até mesmo elogiar o novo corte de cabelo da colega de trabalho são sinais de gentileza. Aos mais céticos endurecidos (a maioria pela vida, que eu sei), relevem o excesso de doçura, mas são coisas assim que deixam mais leves o dia de cada pessoa.

Notamos a resposta no sorriso em agradecimento, no semblante aliviado. Talvez porque neste momento, demos à pessoa um fio de esperança na humanidade que, confesso, muitas vezes fica solto no ar.

Ser gentil é mais do que educação. É sinal da sabedoria, além da inteligência. É qualidade que liberta.

Até a próxima coluna!

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