Aline Alencar

As voltas que a vida faz no mesmo lugar

Pensei muito sobre o tema que iria tratar hoje, nesta coluna e, por isso também, demorei tanto a postá-la para vocês. Refleti, até porque existe um ALERTA SPOILER, em letras garrafais mesmo.

Mas vamos falar sobre o final da série How I Met Your Mother (Como conheci sua mãe) e um pouco de La La Land – Cantando Estações também para enfatizar o meu pensamento. Não é crítica de cinema, mas a forma como a vida é misteriosa em suas voltas e seus desdobramentos. Ficamos, às vezes, em uma espécie de déjà vu nesses círculos que ela dá.

A série e o filme citados falam de amor. Aliás, amores imperfeitos. Mas é só um exemplo. Apliquem em outras situações, vocês verão que é praticamente a mesma coisa.

Para começar, quero falar sobre as reações das pessoas diante de histórias de amor imperfeitas. Finais ditos “não muito felizes” são coisas do tipo que deixam muita gente até frustrada. Parar para pensar que aquela talvez não seja a hora de um romance acontecer, de fato deixa qualquer um angustiado a questionar se há justiça nesta terra de meu deus.

Mas é um fato. Nem sempre é a hora das coisas acontecerem.

A vida por si só pode ser vista como um rio perene que segue um curso e nunca volta para o mesmo lugar, mas nós somos os peixes que nela abrigamos, viajamos e podemos, vez ou outra, voltar ao local de partida, para cumprir um novo propósito, até o dia em que nosso papel aqui tiver terminado, enfim.

Muitas vezes, no “final” de tudo, estamos de volta a mesma situação e a mesma pessoa, mas diferentes por dentro e mudados, amadurecidos por todas estas voltas que a vida deu. Afinal, neste caminho não há somente planícies, mas sim declives até por demais.

E precisamos destes altos e baixos para crescermos e nos transformarmos em pessoas melhores, para nós mesmos e para quem um dia amamos muito, só não podemos ter por perto naquele determinado momento.

E esta é a verdadeira lógica de How I Met Your Mother (Como conheci sua mãe), um dos exemplos para este texto. Desde o começo, não fossem pelos vários alívios cômicos, o final já parecia meio óbvio. Isto se traduz da forma mais simples nas palavras dos filhos do personagem principal: “O senhor mais falou da Robin do que da nossa mãe a história inteira”.

Robin Scherbatsky, personagem de Cobie Smulders, é uma jovem jornalista aspirante a ter sucesso na profissão e sai do Canadá para conquistar este sonho em Nova Iorque, e conhece Ted Mosby, personagem de Josh Radnor. Este por sua vez, como protagonista da série, aos 27 anos, decide casar, ter filhos e toda perfeição que uma família “tradicional” exige.

Começo e fim e de volta ao começo

Ele se apaixona por Robin e ela, durante um tempo, se apaixona por ele. Mas ela quer focar na carreira apenas, não se imagina mãe, muito menos tem jeito com crianças, mas ele quer casar e ter tudo isto. Não era o momento, nem a hora.

Ao final, Ted conhece Tracy McConell, a mãe, interpretada por Cristin Milioti, que só aparece na última temporada. Tracy é tudo que o Ted buscava em alguém: doce, gentil, toca algum instrumento musical, canta lindamente e também cotem amor o suficiente por ele para encarar um casamento e dois filhos lindos. Mas, depois de tanta felicidade, Tracy falece. Algo que chocou e indignou muitas pessoas.

Mas, repito, é uma série, só que também uma representação da vida: nem tudo perfeito. E a volta que a vida deu em forma de série, meus amigos e amigas, foi esta: Ted, que havia feito uma promessa de rever e namorar Robin aos 40 anos, caso ela ainda estivesse solteira, faz isto. Mas não sem antes desabafar toda a sua história com os filhos já adolescentes.

Um desabafo e um pedido para que eles permitam sua felicidade com a pessoa que amou ainda jovem, a “Tia Robin”. Era o momento ideal. Ele teve seu casamento e filhos e ela já era uma apresentadora de TV famosa. E foram se encontrar, tentar novamente. Se ficaram juntos para sempre, os roteiristas deixaram no ar.

Mas foi lindo do mesmo jeito. Uma nova esperança e uma nova chance. E aí de amor imperfeito torna-se perfeito, porque a vida tem dessas belas surpresas, apesar das tristezas no caminho.

E o que o La La Land tem a ver? Bom, os personagens de Emma Stone (Mia) e Ryan Gosling (Sebastian) também seguem caminhos distintos por aspirações distintas apesar do grande amor entre eles. Cada um segue sua vida, conseguem o que querem e um dia se reencontram.

Mas tudo fica por isto mesmo, a não ser pelas lembranças de um lindo passado e os devaneios de ambos de “como seria se fosse diferente”. Reencontram-se, emocionam-se, apenas cumprimentam-se como amigos e retornam à vida que escolheram. Triste? Talvez. Mas são destas voltas que falo: nem sempre têm um nó, a não ser no peito.

O que diferencia é se teremos e, sobretudo, saberemos aceitar os sim’s e os não’s que a vida nos oferece. Voltamos ao ponto de partida apenas para saber se lá ficaremos (como Ted e Robin ficaram) ou seguiremos em frente (no caso de Mia e Sebastian). Só e somente isto.

 

Até a próxima coluna!

 

 

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