Coluna
Ponto de Pauta

Oh Yes, no tenemos banana

Edson Vidigal

Repare bem no macaco. No reino em que sendo apenas súdito parece o mais disposto, alegre e feliz.

O leão proclamado o rei desfila sua juba sem graça alguma. E quando arreganha os dentes, fingindo sorrir, não é nada cordial.

O rei e sua entourage farejam sangue em carne viva.

O macaco, não. O macaco é vegano. Apaixonado por banana.

Da dieta dos macacos, de cuja espécie, aliás, dizem, descendemos, inferiu-se o quanto dependeríamos, e dependemos, sim, e muito, da banana como alimento.

Macaco não tem pressão alta nem prisão de ventre. Nem AVC, leia-se acidente vascular cerebral, nem câncer, nem Parkinson, nem depressão. Se não lhe faltar banana, tudo bem.

O macaco ensinou aos cientistas as propriedades da banana, indispensáveis à boa saúde dos humanos. Rica em potássio, fosforo, cálcio, vitamina C, B1, B2, B5, B6, B9, B12, triptofano, algum carboidrato, proteína e quase nenhuma gordura.

Macaco não sofre de ansiedade, dorme bem, não tem azia e está sempre com boa massa muscular.

Uma banana, no máximo duas por dia, bastam para que o corpo humano usufruindo isso tudo se mantenha em boa saúde.

Associo muito a banana brasileira ao verso de Torquato Neto no seu poema Marginália II – “a bomba explode lá fora / agora o que vou temer? / oh yes nós temos banana até pra dar e vender”.

Naquele tempo, e desde muito antes da Carmen Miranda, isso era verdadeiro. Comprava-se coisa a preço de banana. E com o gesto de espalmar a mão por baixo do antebraço traduzindo desprezo, dava-se banana.

Acreditas que o Brasil hoje já não produz tanta banana chegando ao cumulo de comprar toneladas da França, por exemplo? Fiquei sabendo disso ontem e ainda estou estupefato.

O mercado internacional da banana movimento hoje 8 (oito) bilhões de dólares por ano. Dados da FAO (Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação).

À medida em que se difundem as conclusões dos estudos sobre a saúde dos macacos e as repercussões da sua dieta na saúde humana maior tem sido a demanda por bananas.

Estima-se que a produção mundial de bananas esteja em torno de 114 milhões de toneladas. O consumo mundial aumentou 3,2% no ano passado. Só na União Europeia as importações cresceram 29% nos últimos 5 (cinco) anos.

Segundo os entendidos em cultivo e exportações de banana, o Brasil só estará competitivo no mercado mundial quando se atualizar em tecnologia e redução de custos. Dois dos principais imbróglios estão na colheita e no transporte.

No ano passado, a França comprou do Brasil banana fresca a preço de banana, ou seja, a 2 (dois) mil dólares por tonelada. No mesmo período, o Brasil comprou da França banana congelada, em forma de polpa, a 10 (dez) mil, 430 (quatrocentos e trinta) dólares a tonelada.

Pois é, não temos mais banana suficiente para o consumo dos brasileiros. Vamos nos unir todos num Dia Nacional da Banana. No qual cada brasileiro com a mão aberta batendo no antebraço dê a sua banana, solenemente e enfática, aos maus políticos e omissos governantes.

Bananas de verdade não só aos macacos. Às pessoas do Povo também.

Edson Vidigal, advogado, foi Presidente do Superior Tribunal de Justiça e do Conselho da Justiça Federal.

Futuca por cima que ele cai

Por Edson Vidigal

Era noite e chovia em Brasília quando o “sucatão”, o Boeing presidencial, aterrissou.

Voltando da Bolívia, Lula já se entregava ao cansaço quando o avisaram que o tempo na Base Aérea seria curto porque decolaria num jato menor, porém mais seguro, para Manaus.

Balançou o restinho do destilado num restinho de gelo parecendo explodir. Porra, Celso Amorim, o Chavez de novo? Eu não aguento mais o Chavez!

Não que a proximidade física de Hugo Chavez provocasse em Lula irritantes coceiras daquelas que se transmudam em alergias incuráveis. (O tempo mostrou o quanto se alinhavam).

Depois, no quase dezembro de 2007, na Cumbre Ibero-Americana, em Santiago do Chile, quem não aguentou mais foi o Rei da Espanha, Juan Carlos.

Chavez excedia em muito o tempo que ouvidos lúcidos poderiam tolerar. Por qué no te callas?. Bronqueou o Rei. E só então Chavez calou.

Os populistas em geral fazem suas escaladas para a ditadura ensaiando discursos autoritários. Discursos intermináveis. Intragáveis à racionalidade dos ouvintes.

Na armação dos seus domínios, os ditadores sempre escolhem, entre os subservientes, os imbecis, senão os mais medíocres, para o seu derredor.

Quem diria que o corpulento e espaçoso maquinista do metrô de Caracas chamado Nicolás Maduro, sindicalista arredio a livros e à didática das escolas, autodidata em nada, só em autoritarismo, alcançaria o topo entre os mais confiáveis ao Comandante da Revolução Bolivariana, o coronel Hugo Chavez?

Agora, enquanto a grande maioria dos venezuelanos, morrendo de fome, assaltando carros de lixo nas ruas em busca de comida, sem trabalho, e pior, sem direito algum à própria liberdade, Maduro discursa para si mesmo por horas seguidas, apoiado por sua trupe de militares corruptos e aplaudido por suas hordas de camisas e bonés vermelhos.

Reprovado por 75% da população, sem concorrentes nas urnas, ainda assim, Maduro fraudou os resultados para se dizer eleito. Ah, mas ele ainda tem muitos apoiadores! Tem os generais corruptos, narcotraficantes ou peculatários.

Maduro tem ainda, e especialmente, ao seu lado, os mesmos que aparecem de vermelho nos seus comícios e que em troca da impunidade e de comida, portando armas modernas, promovem arruaças, agridem, matam e dão sumiço nos opositores. Toda ditadura tem os seus temíveis e bem treinados milicianos.

O Povo da Venezuela já não aguenta mais Maduro e sua ditadura, sua entourage violenta e corrupta. A voz do Povo da Venezuela já lhe repete seguidamente a bronca do Rei da Espanha – Por qué no te callas?. Acrescentando – Por que no te vá?

O chavismo ocupou com os seus apaixonados dependentes, idiotizados pelas benesses do poder, as universidades, o legislativo, os tribunais, as forças armadas, e ao mesmo tempo em que quebrou empresas e empresários não alinhados ao regime impôs a censura e fechou jornais, canais de rádio e de televisão descompromissados com a mentira.

Quando Maduro, na sequência do seu projeto de poder absoluto, fez lei dificultando aquisição de armas pelas pessoas do Povo poucos se deram conta de que, desarmando a população, ele queria apenas, e conseguiu, criar e armar a sua própria milícia, os terríveis esquadrões que intimidam, agridem, matam e dão sumiços às pessoas.

Hoje, mais de 50 entre os grandes países, dentre eles o Brasil, o Canadá e o Japão, não reconhecem Nicolás Maduro como Presidente da Venezuela.

Mais de 50 entre os grandes países, dentre eles a Espanha e a França, Reino Unido, Alemanha, Dinamarca e Austria, reconhecem Juan Guaidó, o Presidente da Assembleia Nacional, que nessa condição tornou-se Presidente da República encarregado para a transição do País para a democracia.

O Brasil, que seguia se aparelhando com a corrupção e seus abusos nas empresas estatais e em muitas das grandes empresas privadas, e em outros patamares estratégicos da República, serviu de prova de que Deus é brasileiro. Segue escapando. Por pouco, mas segue escapando.

Os fins e os começos

Edson Vidigal

Amanhã, sexta-feira, começa uma nova legislatura no Congresso Nacional, Câmara dos Deputados e Senado da República. Uma nova legislatura também nas Assembleias dos Estado e Câmara do Distrito Federal.

São muitos legisladores num País de um Povo que vive farto de tantas leis. As leis que pegam, as leis que não pegam. Fala-se, e muito, ultimamente, também nas leis que pagam e nas que não pagaram.

Afora as leis que não chegaram ao papel, as leis dos costumes, portanto, ignoradas pelos Juízes em seus tribunais, e aí já são outros quinhentos.

Amanhã, para os eleitos e também para os reeleitos, vai ser começo ou recomeço. Começos de algum fim. Provisório ou definitivo fim.

Não vem ao caso lembrar as circunstancias dos começos, quase todos muito difíceis, até porque não é o acaso o grande feitor das coisas.

Como tudo na vida, as coisas se fazem com começo, meio e fim. As coisas boas têm fim, as coisas ruins têm fim. A vida, enfim, com tudo de bom e de ruim, tem fim.

Só o amor, porque vem antes da vida e transcende à vida, não acaba, não pode ter fim.

Muita gente, muita gente mesmo, padece de uma dificuldade em compreender que esse espaço de tempo entre uma coisa e outra, um dia acaba.

Quantos não estão agora nestas vésperas se lembrando do quanto foram mimados em incontáveis votos de boas festas, votos sólidos, alguns robustos, muitos engarrafados, todos parecendo se destinar apenas à urna da amizade imorredoura na cabine indevassável de um inoxidável afeto.

Só os tolos, aqueles que logo se embriagam no primeiro gole do poder, podem acreditar que os mimos todos com que são cercados antes das festas, durante as festas e depois das festas, mas só enquanto estiverem em seu naco de poder, são mesmo por causa deles, da inteligência deles, da beleza deles, das qualidades deles.

Estar no poder, há quem acredite, faz até a feiosa parecer bonita, o baixinho pançudo parecer elegante, o chato pedante parecer filosofo, o idiota incapaz capaz de tudo, o truculento verbal parecer diplomata, o velho meliante parecer uma vestal, o poder, enfim, definia Kissinger, é até afrodisíaco.

Estar por um longo tempo no poder esquecendo-se todo o dia de se lembrar que um dia haverá a véspera do dia seguinte é se imaginar capaz de parar o sol a qualquer momento da sua trajetória diária em suas alvoradas e crepúsculos.

Não se preparar com muita antecedência para o desembarque do dia seguinte, preparação essa que, aliás, deve começar desde o primeiro dia de exercício do poder, é se achar o imortal poeta de tudo quanto é marimbondo e, assim, não se achar o mais tolo dentre todos os tolos encontráveis até mesmo nos Evangelhos do Velho Testamento.

Não agir como um tolo é saber distinguir-se entre a pessoa que você sempre foi se esforçando todo dia para ser uma pessoa melhor e a pessoa no poder que você de fato não é porque exercendo o poder você é não é mais que um dos encarregados de mover com a força da autoridade que lhe deram as engrenagens para as coisas acontecerem.

Dependendo de como você exerce a sua autoridade, as coisas podem acontecer em resultados bons, ruins ou maus, sobrando, assim, para todo mundo.

Então os mimos com que cercam a pessoa investida no poder da autoridade, e até mesmo os seus parentes e amigos também são cercados, nada disso tem a ver com as pessoas no que elas são desde o antes e no que elas voltarão a ser completamente a partir da véspera do depois.

Por isso, o bom é quando depois de tanto tempo fora do poder a presença que se registra continua sendo aquela dos velhos amigos, os mesmos de muito antes e também dos poucos que no enquanto surgiram e que souberam manter-se no durante, todos eles para todo o sempre.

O problema é que muitos no poder ainda confundem o ser com o ter. Acabam misturando a essência do que são ou poderão ser como pessoa com as fuligens do poder que imaginam ser coisas suas, pessoais, e não são.

Olha, gente, isso tudo é tão passageiro. Algumas vezes até demora, mas um dia passa. E acaba.

Edson Vidigal, Advogado, foi Presidente do Superior Tribunal de Justiça e do Conselho da Justiça Federal.

Sabem vocês o que é o amor?

Edson Vidigal

No calendário que rola tem sido raro o dia sem a notícia de um assassinato de uma mulher no Brasil.

A lei penal já foi modificada criando uma nova definição para o assassinato de uma mulher.

Agora não há só o homicídio. Se o crime reflete o sentimento de ódio traduzindo repulsa ao gênero feminino, a tipificação penal é feminicídio.

Feminicídio não é só homicídio qualificado. É também crime hediondo para o qual nunca haverá indulto, perdão ou anistia.

A pena para o crime de feminicídio pode ser aumentada em 1/3 (um terço) até a metade caso se configure alguma agravante como, por exemplo, durante a gestação ou nos três meses posteriores ao parto; contra pessoa menor de 14 (catorze) anos, maior de 60 (sessenta) ou com deficiência; na presença de descendente ou ascendente da vítima.

Estão matando mulher todo dia e a sociedade na parte mais esclarecida, bem informada, capaz de exercer alguma influência formando opinião, parece alheia, omissa.

A cumplicidade por omissão se acobertou por muito tempo sob aquela sumula, ainda não explicitamente revogada, segundo a qual em briga de pedra garrafa não se mete.

Súmula combinada e absorvendo força daquela outra – em briga de homem e mulher ninguém mete a colher.

Como naquele samba canção do Herivelto, tudo tinha que ficar mesmo entre quatro paredes.

É do antanho mais antanho o preconceito contra as mulheres.

Mateus e Lucas registram em suas reportagens o quanto Cristo foi estranhado por acolher em sua campanha a companhia das mulheres. Não eram poucas.

Tantas mulheres, embora mais se fale, ainda hoje, de Madalena com quem teria se casado e também daquela outra, que Ele salvou da morte por apedrejamento, acusada de adultério, fato que ensejou um dos grandes motes da advocacia de defesa – quem nunca cometeu um erro, ou ilícito, que atire a primeira pedra!

Mas hoje em dia, ó meu, são estarrecedores os números sobre o que o machismo, a covarde valentia dos homens, estão a fazer contra a vida das mulheres.

As barbaridades vêm acontecendo num crescendo. Na última década, entre 2003 a 2013, os registros indicam um salto de 3.937 para 4.762 assassinatos de mulheres. Tudo na modalidade feminicídio.

Hoje em dia, uma mulher é assassinada a cada duas horas por um homem que ou foi seu marido, seu namorado, seu amante. Sempre alguém seu bem conhecido. As maiores vitimas são negras e jovens entre 18 (dezoito) e 30 (trinta) anos de idade.

Nos últimos 10 (dez) anos o feminicídio no Brasil aumentou 54% (cinquenta e quatro) por cento. E no Maranhão também. Só tem aumentado e já está entre as mais altas taxas do Brasil.

Ah, mas no resto do mundo também se matam mulheres nessa modalidade. Sim, ó meu. Não só as assassinam como as escravizam, as humilham, sonegam-lhes o direito à dignidade humana. Mas o Brasil já é 5º País no mundo onde o machismo assassina mais mulheres!

Mulher não é objeto descartável. Mulher é ser humano, é gente, parelha do homem, criação Divina.

Ah quanto faz falta a poesia nas escolas. A inspiração de poetas como o Vinicius – sabe você é o que é o amor? Não sabe, eu sei. (…)

E agora dirigindo-se ao ladrão: Você não tem alegria, nunca teve uma paixão, mas a minha poesia, quá, quá, você não rouba não…

Edson Vidigal, Advogado, foi Presidente do Superior Tribunal de Justiça e do Conselho da Justiça Federal.

Enganadores e Enganáveis

Para os que estão chegando, o susto, a surpresa, a herança maldita. Como estariam agora sem a grande desculpa da herança maldita?

As alegrias de quintal que levaram às festas da vitória e recentemente às solenidades da posse só não estão totalmente murchas porque as ansiedades latentes ainda esperam pelo fim sem piedade da herança maldita.

Todos se queixam de rombos no orçamento público, de gastos absurdos que transcenderam em muito as arrecadações e que com essa herança maldita não vai dar.

Então, não sabiam nada das terríveis dificuldades com as quais, em todos os quesitos – políticos, administrativos, econômicos, fiscais, financeiros, sociais, incluídos segurança pública, educação e saúde, – teriam que encarar?

A campanha eleitoral, desde as eleições na antiguidade, tanto na velha Grécia quanto na Roma antiga, tinha uma função didática. Era o momento em que os pretendentes aos cargos se escancaravam aos olhares dos eleitores que, ao final, se decidia pelos melhores.

Os melhores tinham que ser os mais bem avaliados em todos os quesitos indispensáveis ao exercício da função pública. Não bastava que fossem bons oradores, pessoas cultas, de saber e experiência incontestáveis.

Tinham que ter igualmente um passado com história de bons exemplos, que lhe rendessem respeito, admiração, enfim o que ainda hoje se exige constitucionalmente aos postulantes a cargos da magistratura, do ministério público e das cortes de contas – o indispensável notável saber e a imprescindível reputação ilibada.

Os partidos políticos, instituições sobre as quais há registros históricos inclusive na antiga Judeia, faziam a triagem. Filtravam os nomes. O cardápio de candidaturas que então se oferecia aos eleitores era instigante. De tantos bons nomes.

O direito eleitoral no processo civilizatório se foi se afirmando assim, nessa coerência. A seleção dos melhores por cada partido para candidatos e a eleição dos melhores dentre os melhores candidatos para serem eleitos.

O tempo da campanha eleitoral era para ser sempre o tempo das questões do tempo de legislar e governar. Dos embates das ideias. Das formulações verdadeiras para o enfrentamento eficaz do que atazanando as relações entre a sociedade e o poder público tem que superado. Enfim resolvido.

Vemos isso hoje pelo avesso do avesso. Ah os Senadores! Os Tribunos do Povo! Os administradores das Civitas! Os Governadores das Satrapias! Na Grécia, em Roma, na Europa, nem mesmo nos antigamentes deste Brasil, os estadistas ousaram a esfarrapada desculpa da herança maldita.

Para os eleitos e os reeleitos destas touradas, segue a advertência, aliás, sempre oportuna, do Presidente Abraão Lincoln:

– É possível enganar um Povo por algum tempo. É possível enganar parte do Povo por um certo tempo. Mas não se pode enganar o Povo todo o tempo todo.
Parte do Povo no Brasil já sabe disso. Mas a maioria do Povo, em seu analfabetismo político decidindo as eleições, ao que parece, ainda vai ter que apanhar muito sob a pancadaria da politicalha, a qual sustenta a desigualdade para poder, assim, gerar mais dependência entre maioria pobre de tudo, até de espírito, sob o manto protetor corrupto de um Estado insuportavelmente burocratizado e de formatação totalitária como ainda é este Estado do Brasil.
Não é possível enganar o Povo todo o tempo todo.

Edson Vidigal, Advogado, foi Presidente do Superior Tribunal de Justiça e do Conselho da Justiça Federal.

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Sem medo de ter medo

Bristol, no sudeste da Inglaterra, é uma cidade histórica, atraente e não é de hoje, sobretudo por sua Universidade.
Na área da medicina, por exemplo, há um complexo de hospitais atuantes em pesquisas e serviços em todas as especializações.
Uns poucos brasileiros que concluíram residência no Hospital das Clinicas, em São Paulo, foram para a Universidade de Bristol como bolsistas por dois anos.
Um dos jovens médicos, chamado Euler, comprou um carro.
Ainda se iniciando no hábito de dirigir pelo lado direito, sim, o volante dos ingleses não fica no lado esquerdo como no Brasil e demais do mundo, um dia vendo à frente a faixa de pedestres pisou forte no freio quase alcançando-a.
Como se saísse do nada, um policial altão, forte, farda elegante, o aborda. Fale a verdade, foi logo avisando. O senhor não sabe que tem que guardar alguma distancia da faixa de pedestres?
O nosso brasileiro, médico ortopedista, que se especializava em traumatologia, sabia muito bem do perigo que rondou aquela freada.
Não se intimidou, aliás, nem teve porque se intimidar. O tom do policial foi ameno. Gentil. Educado.
O doutor Euler então explicou que havia chegado do Brasil há pouco tempo com bolsa de estudos da Bristol University. Sabia do risco e da falta em que incorrera. Que passaria a manter maior distância das faixas de pedestres.
O policial gentilmente agradeceu dando-se por satisfeito com as explicações do médico motorista. Não lhe pedira documento algum. Apenas a verdade na palavra. Despediu-se com votos de boas-vindas e de feliz estada na Inglaterra.
Algum tempo depois, outro brasileiro, este chamado Caetano, cantou em versos na canção London, London, a sua surpreendente admiração com a gentileza do policial num domingo em que ele, apenas um exilado compositor brasileiro, seguia vagando, dando umas voltas à pé, sem direção.
Ele, o poeta, está solitário em Londres e Londres é amável assim – cruza as ruas sem medo, todo mundo deixa o caminho livre. Não conhece ninguém ali para lhe dizer olá. Enquanto  seus olhos procuram discos voadores no céu, e as pessoas passam apressadas com tanta paz, um grupo aborda um policial e ele parece até muito satisfeito em poder atendê-las.
A Inglaterra então já projetava exemplos de segurança pública com cidadania. Algo que a politicalha patrona da inveja e das gestões medíocres, e sabe-se hoje, pra lá de corruptas, não deixaram que se acontecesse no Rio de Janeiro. Nem no Maranhão.
Sim, muito, muito depois das ondas tsunamis de medo que foram se apossando e ainda se apossam das mentes pouco sadias no mundo, houve aquela melecada do policial na estação do metrô num subúrbio de Londres, que encagaçado de medo, achando que o jovem barbudo de mochila no ombro fosse um terrorista das arábias, abateu-o covardemente com um tiro de pistola.
E era um brasileiro chamado Jean Charles, cuja história já foi contada até no cinema.
Edson Vidigal, advogado, foi Presidente do Superior Tribunal de Justiça e do Conselho da Justiça Federal.

Entenda a lógica

Edson Vidigal

O recesso dos Deputados e Senadores, iniciado em 22 deste dezembro terminará em 31 de janeiro do próximo ano, quando findarão os atuais mandatos.

No dia seguinte, 1º de fevereiro, haverá a posse dos novos Deputados e Senadores eleitos, ou reeleitos, para a nova legislatura de quatro anos.

(Difícil saber sobre o espírito de porco que, na Constituinte, marcou para 1º de janeiro as posses do Presidente da República, dos Governadores e Prefeitos.)

O Congresso, Câmara e Senado, em final de legislatura, empossará em 1º de janeiro, os novos Presidente da República e Vice-Presidente da República, eleitos neste ano.

Com os novos titulares do Executivo, Presidente e Vice, a República seguirá com a legislatura atual em seus últimos estertores.

Ao mesmo tempo em que os Deputados e Senadores eleitos ou reeleitos esperam o novo começo legislativo, o Presidente da República, e por que não também o seu Vice, e por que não também todo o Povo brasileiro, ainda terão de encarar o cenário anódino com um Congresso cujos integrantes apenas estão.

A Câmara, por exemplo, foi renovada pelas urnas em mais da metade. O Senado, nem tanto.

O País ainda terá que pagar a conta decorrente desses descompassos. De todas as contas, num relance, a que mais chama a atenção agora é dos suplentes que, em tese, nem terão o que fazer no serviço legislativo.

Dos 513 Deputados e 81 Senadores da atual legislatura, pelo menos, 20 ao todo deixarão seus mandatos no último dia deste mês de dezembro. Ou porque foram eleitos para cargos nos Executivos de seus Estados ou porque tendo sido reeleitos, ou não, tomarão posse em 1º de janeiro como Ministros do novo Presidente ou como Secretários dos Governadores.

Os suplentes de cada um desses parlamentares serão convocados, tomarão posse, mesmo que não tenham nada a fazer nesse curtíssimo espaço de tempo.

E por conta disso serão pagos pelos serviços, ainda que não efetivamente realizados.

Estima-se que os vencimentos de cada suplente nessa transição para Senador ou Deputado poderão chegar a 72 (setenta e dois) mil reais.

Ah e os suplentes que assumirão para a próxima legislatura, a partir de 1º de fevereiro? Bom, aí, serão outros quinhentos…

A Constituição não admite que ninguém no serviço público trabalhe sem a contrapartida de um pagamento. Mas deveria proibir receber vencimentos sem a contrapartida de algum trabalho de verdade e eficaz.

Edson Vidigal, Advogado, foi Presidente do Superior Tribunal de Justiça e do Conselho da Justiça Federal.  -oOo-  27.12.18

Flávio Dino: Ajuste para fazer mais

Artigo do governador Flávio Dino

Ao longo desses 4 anos de meu primeiro mandato, governei o Maranhão em meio à maior crise econômica dos últimos 100 anos no Brasil. Fruto disso, tivemos uma queda de R$ 1,5 bilhão nos repasses federais para nosso estado. É fácil imaginar o impacto disso para as contas públicas do nosso estado.

Também herdamos da gestão anterior uma dívida junto a um banco estrangeiro, fixada em dólar, cuja cotação praticamente dobrou nesses quatro anos. Isso fez com que as parcelas do tal empréstimo, todas pagas por mim, tivessem gigantesco aumento. A parcela de janeiro de 2019 deverá chegar a aproximadamente R$ 180 milhões. Despesa extra que vem logo em sequência do impacto do 13º salário, provocando um enorme esforço fiscal em curto período.

Merece menção o fato de que todas as dívidas com o Poder Judiciário, da gestão anterior à minha, não foram pagas, de modo que desde 2015 estou pagando os precatórios judiciais de 2012, 2013 e assim sucessivamente.

Mesmo assim, conseguimos entregar 9 grandes hospitais regionais em pleno funcionamento; construir, reformar ou reconstruir mais de 800 escolas; asfaltar 2,5 mil quilômetros de estradas e vias urbanas; e praticamente dobrar o efetivo de policiais. Ações que exigiram muita responsabilidade fiscal e que aumentaram a oferta de serviços públicos a todos os maranhenses.

Findo esse primeiro mandato, o quadro nacional segue economicamente nebuloso, sem permitir apostas consistentes em uma melhora imediata. O que se percebe, junto aos entes privados, é que aguardam definições mais claras do governo federal para novos investimentos, que venham a reativar a economia. Organismos internacionais já reduziram suas previsões para a economia no próximo ano, diante da falta de indicadores que possam sustentar algum otimismo. A verdade é que ninguém sabe como será o ano de 2019, e por isso temos que adotar medidas aqui e agora, para nos proteger da continuidade da recessão econômica nacional.

Diante dessa indefinição nacional, o Governo do Maranhão está tomando as medidas necessárias para ultrapassar mais esse período de dificuldades.

Nesta semana, editei decreto definindo cortes em áreas administrativas do governo, como aluguel de carros, diárias, viagens e telefones. Com isso, estamos cortando despesas sem afetar a qualidade dos serviços públicos que ampliamos ao longo desses quatro anos. E sem atrasar a folha dos servidores públicos, pois isso desorganizaria toda a economia do Maranhão.

Em 2015, já havíamos feito cortes, resultando naquele ano em uma economia de aproximadamente R$ 300 milhões. E seguimos agora, pois é um dever constante de uma gestão séria manter o máximo controle possível da equação receitas e despesas.

Grandes esforços têm sido feito para que não nos percamos no mesmo caminho de grande parte dos estados brasileiros, que não resistiu à crise ao longo desses quatro anos, atrasando e parcelando salários.

Todos podem ter certeza de que o dinheiro administrado pelo Governo do Estado é um dinheiro bem aplicado para o povo do Maranhão, convertendo-se em escolas, hospitais, estradas e policiais. Bem diferente de antes, quando servia ao privilégio e enriquecimento de poucos. Infelizmente lidamos com graves problemas nacionais e com perversas heranças. Cabe-nos enfrentar esse quadro, com coragem e transparência. É o que temos feito e assim prosseguiremos.

‘Criança Lendo Maranhão Vivendo’

Começa nesta terça-feira, 23, a partir das 9h, a programação do ‘Criança Lendo, Maranhão Vivendo’, ação alusiva ao mês da criança realizada pela Biblioteca Pública Benedito Leite, equipamento cultural do estado vinculado à Secretaria de Estado da Cultura e Turismo (Sectur).

As atividades acontecem até sexta-feira, 26, na Biblioteca Infantil Viriato Corrêa, anexo da Biblioteca Benedito Leite, Praça Deodoro, centro de São Luís. Nos dias 23 a 25 a programação é das 9h às 12h, e no dia 26 das 9h às 12h, e das 14h às 17h.

Durante quatro dias, as crianças participarão de oficinas de criação artística, jogos culturais e rodas de leitura, exposições literárias e de brinquedos tradicionais, contação de histórias e passeio pela Biblioteca.

“Vamos realizar um conjunto de atividades culturais voltadas para alunos da educação infantil e ensino fundamental, priorizando a leitura e sua integração com as demais linguagens artísticas”, informou Aline Nascimento, diretora da Biblioteca Benedito Leite.

Diagnóstico precoce do câncer na Feirinha

Com o tema “Uma simples atitude pode salvar a sua vida. Procure um médico”, o Governo do Maranhão realiza mais uma ação da Campanha Outubro Rosa, neste domingo (21), na Feirinha de São Luís.

Na programação, haverá rodas de conversa sobre saúde da mulher, orientação sobre a prevenção do câncer de mama, distribuição de material informativo, além de aulão de zumba.

Outubro Rosa

Em São Luís, o Dia D do Outubro Rosa aconteceu segunda-feira (15), no Hospital de Câncer do Maranhão.

Como parte da programação da campanha, a Unidade Móvel de Saúde – Carreta da Mulher Maranhense percorrerá bairros de São Luís, até o dia 30, disponibilizando mamografia, exame preventivo, vacinas e palestras.

Nesta sexta (19) e sábado (20), o atendimento da unidade móvel será no bairro do Maracanã. A ação é realizada pela Secretaria de Estado da Saúde (SES), em parceria com a Secretaria de Estado da Mulher (SAMU). A ação será ao lado da União de Moradores da Vila Nova República, localizada na Rua Tancredo Neves.