Aline Alencar

Eleições: 2016 é o espelho de 2018

Hoje, a coluna volta mais séria do que nunca e até preocupante – pelo menos para esta que vos fala. Confesso que relutei quanto ao tema desde que este espaço começou; afinal, tratar de política, embora instigante, pode ser um pouco desgaste também. E vocês merecem, pelo menos aqui, se desligar do que nos aflige nem que sejam por 10 minutinhos deste mundo sabidamente turbulento.

Mas, vamos aos fatos ou, quem sabe, às projeções para o que nos aguarda, e, sobretudo, ao que aguarda aos nossos futuros candidatos também, no que diz respeito ao processo eleitoral no próximo ano.

O resultado das eleições municipais em 2016 tornou-se um espelho onde 2018 já pode ver refletidas suas articulações e próximos passos a serem dados nas campanhas. O ano passado mudou completamente o cenário político do país, especificamente, nas disputas para presidente, deputados (estaduais e federais) e senadores em 2018. Isto é, partidos que antes dominavam vários redutos se viram completamente isolados no pleito municipal. Outros cresceram surpreendentemente.

Até mesmo no ABC paulista, onde nasceu, o Partido dos Trabalhadores saiu derrotado. Algo inédito em muitos anos da história da legenda. As escolhas dos dirigentes nos diretórios municipais e estaduais do PT neste ano, em articulação a 2018, mostram o partido tentando se reerguer com o lema de retornar às origens, de volta à classe trabalhadora. No Maranhão, a maioria da militância petista afirma que quer distância de qualquer influência do grupo Sarney. Sinais de que, para eles, foi um dos desgastes da imagem do partido.

Por outro lado, de volta ao cenário nacional, PSDB e demais partidos chamados de “nanicos, como o PRB, cresceram em muitas capitais. Mas isto não significou, à época, somente a derrota do PT. Contudo, muito menos a vitória da direita.

Significou uma esquerda que procura outros caminhos para voltar ao poder no Brasil. E aí retornamos ao Maranhão como um exemplo disto, onde boa parte dos municípios tem como eleitos prefeitos e vereadores do PDT e PCdoB. O caminho continua pela esquerda, só mudou de figura. Tanto que o PT maranhense já confirmou a continuação da aliança com o partido do Governador Flávio Dino em 2018.

Mas conquistar eleitores não será fácil para qualquer legenda que seja. O índice de abstenção, além de votos brancos e nulos no país superou o esperado, de acordo com o TSE, com uma porcentagem que cresceu de 26,5%, em 2012, para 32,5%, em 2016. E, por isto, o tema é tão preocupante e ainda deve ser muito debatido, provocando mudanças não somente no comportamento do eleitorado, mas também na postura das figuras políticas de todo o Brasil.

O resultado de 2016 reflete a insatisfação do eleitorado e, acima de tudo, revela nitidamente os indícios do grande esforço que será exigido em 2018. Tanto de quem perdeu, como de quem saiu vencedor.

 

Até a próxima coluna!

 

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