OPINIÃO | “Desinteresse’ do eleitorado pelo Senado

Por quase meio século a representação do Maranhão no Senado da República é hegemonizada por membros de um mesmo grupo político. No mais das vezes, sua atuação atende aos interesses menores e até eleitoreiros deste agrupamento que ao conjunto da população.

Dois episódios demonstram isto na prática. Em meados da década passada, a população foi às ruas para reivindicar a aprovação de empréstimo de US$ 30 milhões junto ao Banco Mundial, para financiar o Programa de Desenvolvimento Integrado do Maranhão (Prodim).

Pois bem! Os três senadores do Maranhão à época fizeram de tudo para boicotar o projeto, cujo objetivo era combater a pobreza rural e o então governador do Estado José Reinaldo Tavares teve de recorrer a senadores de outros estados para aprovar o projeto. O trio senatorial local preferiu atender às ordens do chefe político a ouvir o clamor da maioria dos maranhenses.

Mais recentemente, outro fato demonstrou a baixa eficiência da bancada do Maranhão. No momento da maior crise econômica da história do país, em que estados e municípios amargam quedas substanciais nas receitas comprometendo serviços públicos essenciais, houve entendimento político para que os recursos da emenda coletiva de bancada fossem destinados à saúde.

Seriam R$ 160 milhões para os municípios. Os senadores retiraram parte significativa dos recursos e os destinaram à Companhia de Desenvolvimento dos Vales dos rios São Francisco e Parnaíba (Codevasf).

Atitudes como essas talvez ajudem a explicar o ‘desinteresse’ de grande parte do eleitorado maranhense com a eleição para o Senado.

Cerca de 34% dos eleitores em média estão indecisos, segundo pesquisas, dizem não saber ou não respondem em quem votarão para senador, no próximo dia 7 de outubro.

Outros 32% dizem votar nulo ou em branco. Somados teríamos mais da metade do eleitorado ‘desinteressado’ das eleições para o Senado. Em 2010, quando duas vagas estavam em disputa foram pouco mais de 20% de votos nulos e brancos. Quatro anos depois, cerca de 10% dos eleitores votaram em branco ou nulo.

Contudo, os levantamentos estatísticos apontam também para possibilidade inédita de eleição em que candidatos apoiados pelas forças oligárquicas têm chances reduzidas de chegar ao Senado. Concorre para isso a alta aprovação do governo e popularidade do governador Flávio Dino.

A dezenove dias da eleição, os candidatos apoiados pelo governador, Eliziane Gama (PPS) e Weverton Rocha (PDT) lideram a corrida pelo Senado. Edison Lobão (MDB) e Sarney Filho (PV) parecem ter alcançado o teto e estão empatados tecnicamente na terceira posição com o ex-governador Zé Reinaldo (PSDB), que também está na briga por uma das vagas.

Tradicionalmente nas eleições estaduais, candidatos apoiados por governadores candidatos à reeleição são favoritos. Exceto nas eleições de 1990 e 2006, ambas vencidas pelo oposicionista Epitácio Cafeteira.

Caso o revés da dupla de candidatos ligados ao conservadorismo se concretize será a primeira vez em décadas que a representação do Estado no Senado não terá sido eleita em coligações lideradas pelo sarneísmo.

Os maranhenses precisam dar a devida relevância ao Senado elegendo senadores comprometidos verdadeiramente com o Maranhão e seu povo.

Radialista, jornalista, Secretário adjunto de Comunicação Social e diretor-geral da Nova 1290 Timbira AM.

Deixe uma resposta