Aline Alencar

Os 30 de agora não são mais os mesmos de antes

A geração que vai completar 30 anos, neste ou no próximo ano, já não pensa, há muito tempo, diga-se de passagem, em casamento, filhos, entre outros que a geração de antes almejava. Agora nos preocupamos mais com boletos e em ter uma vida tranquila, regada a viagens, barzinhos e, se tiver sorte, viver uma paixão efêmera, porém forte. Apartamento e carro próprio? Sim, queremos, também, mas isto é construção de uma vida e não uma urgência.

A geração dos 30 de agora pensa mais no hoje e sofre com o futuro, em alguns momentos, para os mais sensíveis, beirando à depressão. Nos preocupamos também com o futuro coletivo do país que vivemos e queremos sempre mais, não importa se o que se vive agora é bom. Somos ambiciosos financeira e emocionalmente e ao mesmo tempo calmos e despreocupados com o que está por vir.

Já não choramos muito e talvez sintamos mais dor por isso. Os amores já não são do mesmo jeito. Borboletas na barriga? Algumas, mas em pouca reprodução porque agora a cabeça é quem controla o corpo, o coração. Aquele que poderia ser o homem ou a mulher da sua vida, já é algo distante como se nunca tivesse acontecido. E se acontecer de novo? E se não? Tudo bem. Não cobramos mais dos outros nem de nós mesmos com a mesma impaciência dos 20 e poucos anos. Talvez um x nos aplicativos de paquera nos distraia de viver um amor? Quem realmente sabe?

O futuro é inesperado e é esta a delícia dos 30. E a leveza disso tudo está em vivenciar cada momento como se fosse o último. Aquela cerveja no bar; aquele encontro a dois; aquela conversa com seus pais sobre o que eles faziam na nossa idade; um carinho no animalzinho de estimação; aquela música atual ou a música que marcou época; os encontros com os amigos, estes cada vez mais raros por causa da vida corrida. Apreciamos com gosto cada pedaço desses 30 anos vividos e com vontade de viver. E não precisam ser mais 30. Pra gente, cada ano é uma conquista, sejam em quantas casas decimais se acumulem.

E, assim, vamos vivendo. Intensamente. 30 anos, 30 dias, 30 segundos…

 

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