Aline Alencar

Os robôs sociais

As pessoas pensam que me acovardei diante das injustiças, diante do dialogar, diante do explanar de novas opiniões, argumentos. Mas ao contrário, quem me conhece bem sabe que eu compro a briga de qualquer um que eu julgar merecer defesa.

Sempre foi assim. Mas o que me incomoda? Apenas sei que a sensação de impotência diante de tanta injustiça no mundo me deixou mais cansada e mais doente, sentimentalmente falando. Muitas e muitas vezes, não adianta mais dar murro em ponta de faca. Muito menos faz sentido argumentar.

Eu sei que esta coluna tem sempre o objetivo de ser leve. Mas aproveito a segunda-feira para tratar do que me incomoda tanto e há tanto tempo. Por esta coluna existir, continuo fazendo a minha parte, apenas. Isoladamente e em silêncio. Dialogando apenas com vocês, leitores. Mas uma andorinha só não faz verão, já diriam os mais velhos.

Nosso mundo já não é o mesmo em que é possível fazer uma luta armada, não é o mesmo em que conquistaria alguma coisa com greve de fome, não é mais o mesmo de conquistar Liberdade, Igualdade e Fraternidade, como antigamente.

Agora, para acharmos que estamos mudando algo, damos likes, esbravejamos em 140 caracteres, e isso é natural.

Mas não é o suficiente e nós sabemos disso.

E saber disso decepciona, emudece e esmurece.

Não é sobre se acovardar, mas esperar o tempo em que um dia todos irão acordar. Ou se conformar com a eterna sonolência social e semeando esperanças e torcer para que alguém, seja em outra década ou existência, as colha, enfim.

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