Lula: O Brasil precisa restaurar sua democracia e se libertar dos ódios

Brasil de Fato

Preso há mais de três meses na sede da Superintendência da Polícia Federal em Curitiba, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva faz uso do espaço de opinião do jornal Folha de São Paulo, em sua edição desta quinta-feira (19), para criticar as diversas manobras que têm sido feitas para impedir que ele faça campanha eleitoral. Lula é oficialmente o pré-candidato presidencial do Partido dos Trabalhadores (PT) e deve ter sua candidatura registrada junto à Justiça Eleitoral no dia 15 de agosto. Confira a íntegra do artigo:
Estou preso há mais de cem dias. Lá fora o desemprego aumenta, mais pais e mães não têm como sustentar suas famílias, e uma política absurda de preço dos combustíveis causou uma greve de caminhoneiros que desabasteceu as cidades brasileiras. Aumenta o número de pessoas queimadas ao cozinhar com álcool devido ao preço alto do gás de cozinha para as famílias pobres. A pobreza cresce, e as perspectivas econômicas do país pioram a cada dia.

Crianças brasileiras são presas separadas de suas famílias nos EUA, enquanto nosso governo se humilha para o vice-presidente americano. A Embraer, empresa de alta tecnologia construída ao longo de décadas, é vendida por um valor tão baixo que espanta até o mercado.

Um governo ilegítimo corre nos seus últimos meses para liquidar o máximo possível do patrimônio e soberania nacional que conseguir —reservas do pré-sal, gasodutos, distribuidoras de energia, petroquímica—, além de abrir a Amazônia para tropas estrangeiras. Enquanto a fome volta, a vacinação de crianças cai, parte do Judiciário luta para manter seu auxílio-moradia e, quem sabe, ganhar um aumento salarial.

Semana passada, a juíza Carolina Lebbos decidiu que não posso dar entrevistas ou gravar vídeos como pré-candidato do Partido dos Trabalhadores, o maior deste país, que me indicou para ser seu candidato à Presidência. Parece que não bastou me prender. Querem me calar.

Aqueles que não querem que eu fale, o que vocês temem que eu diga? O que está acontecendo hoje com o povo? Não querem que eu discuta soluções para este país? Depois de anos me caluniando, não querem que eu tenha o direito de falar em minha defesa? 

É para isso que vocês, os poderosos sem votos e sem ideias, derrubaram uma presidente eleita, humilharam o país internacionalmente e me prenderam com uma condenação sem provas, em uma sentença que me envia para a prisão por “atos indeterminados”, após quatro anos de investigação contra mim e minha família? Fizeram tudo isso porque têm medo de eu dar entrevistas?

Lembro-me da presidente do Supremo Tribunal Federal que dizia “cala boca já morreu”. Lembro-me do Grupo Globo, que não está preocupado com esse impedimento à liberdade de imprensa —ao contrário, o comemora.

Juristas, ex-chefes de Estado de vários países do mundo e até adversários políticos reconhecem o absurdo do processo que me condenou. Eu posso estar fisicamente em uma cela, mas são os que me condenaram que estão presos à mentira que armaram. Interesses poderosos querem transformar essa situação absurda em um fato político consumado, me impedindo de disputar as eleições, contra a recomendação do Comitê de Direitos Humanos das Nações Unidas.

Eu já perdi três disputas presidenciais —em 1989, 1994 e 1998—e sempre respeitei os resultados, me preparando para a próxima eleição.

Eu sou candidato porque não cometi nenhum crime. Desafio os que me acusam a mostrar provas do que foi que eu fiz para estar nesta cela. Por que falam em “atos de ofício indeterminados” no lugar de apontar o que eu fiz de errado? Por que falam em apartamento “atribuído” em vez de apresentar provas de propriedade do apartamento de Guarujá, que era de uma empresa, dado como garantia bancária? Vão impedir o curso da democracia no Brasil com absurdos como esse? 

Falo isso com a mesma seriedade com que disse para Michel Temer que ele não deveria embarcar em uma aventura para derrubar a presidente Dilma Rousseff, que ele iria se arrepender disso. Os maiores interessados em que eu dispute as eleições deveriam ser aqueles que não querem que eu seja presidente.

Querem me derrotar? Façam isso de forma limpa, nas urnas. Discutam propostas para o país e tenham responsabilidade, ainda mais neste momento em que as elites brasileiras namoram propostas autoritárias de gente que defende a céu aberto assassinato de seres humanos.

Todos sabem que, como presidente, exerci o diálogo. Não busquei um terceiro mandato quando tinha de rejeição só o que Temer tem hoje de aprovação. Trabalhei para que a inclusão social fosse o motor da economia e para que todos os brasileiros tivessem direito real, não só no papel, de comer, estudar e ter moradia.

Querem que as pessoas se esqueçam de que o Brasil já teve dias melhores? Querem impedir que o povo brasileiro —de quem todo o poder emana, segundo a Constituição—possa escolher em quem quer votar nas eleições de 7 de outubro?

O que temem? A volta do diálogo, do desenvolvimento, do tempo em que menos teve conflito social neste país? Quando a inclusão dos pobres fez as empresas brasileiras crescerem?

O Brasil precisa restaurar sua democracia e se libertar dos ódios que plantaram para tirar o PT do governo, implantar uma agenda de retirada dos direitos dos trabalhadores e dos aposentados e trazer de volta a exploração desenfreada dos mais pobres. O Brasil precisa se reencontrar consigo mesmo e ser feliz de novo.

Podem me prender. Podem tentar me calar. Mas eu não vou mudar esta minha fé nos brasileiros, na esperança de milhões em um futuro melhor. E eu tenho certeza de que esta fé em nós mesmos contra o complexo de vira-lata é a solução para a crise que vivemos.

Lula: O Brasil voltará a ser dos brasileiros

Enquanto o país prestava atenção à Copa do Mundo, a Câmara dos Deputados aprovou, em regime de urgência, uma das leis mais vergonhosas de sua história. Por maioria simples de 217 votos, decidiram vender  aos estrangeiros 70% dos imensos campos do pré-sal que a Petrobrás recebeu diretamente do governo em 2010. Foi mais um passo do governo golpista e seus aliados para entregar nossas riquezas e destruir a maior empresa do povo brasileiro.

O projeto de lei aprovado semana passada é um crime contra a pátria, que exige reação firme da sociedade para ser detido no Senado, antes que seja tarde demais. É uma decisão que entrega de mão beijada campos do pré-sal com potencial de conter cerca de 20 bilhões de barris de petróleo e gás, burlando a lei que garante o pré-sal para os brasileiros.

Para entender a gravidade desse crime, é preciso voltar ao ano de 2009, quando a Petrobras precisava investir para explorar o recém-descoberto pré-sal. Apresentamos então um projeto de lei em que a União (a quem pertencem as reservas de petróleo, não se esqueçam) vendeu à estatal, em troca de títulos, o direito de explorar até 5 bilhões de barris de petróleo em campos do pré-sal. Foi a chamada Cessão Onerosa.

Assim, a empresa se valorizou, fez a maior operação de capitalização da história e tornou-se capaz de investir. O resultado é que, em tempo recorde, o pré-sal já produz 1,7 milhão de barris/dia, mais da metade da produção nacional. Como era uma operação especial, para defender interesses estratégicos do país, definimos na Lei 12.276/10, que a Cessão Onerosa “é intransferível”.

Fora dessa área, o pré-sal só pode ser explorado pelo regime de partilha, por meio de uma legislação que garante a soberania do país e direciona essa riqueza para investimentos em educação, saúde, ciência e tecnologia, o nosso passaporte para o futuro.

Já circulam estudos indicando que o petróleo dos campos de Cessão Onerosa será vendido a preços entre US$ 6 e US$ 8 o barril, que é o custo de exploração, quando o preço internacional do barril oscila entre U$ 70 e US$ 80. As chances de achar petróleo nesses campos são praticamente totais, porque nós, brasileiros, já mapeamos as áreas. Para as petroleiras, é como comprar um bilhete premiado de loteria. Para o Brasil, é como vender a galinha da fábula, que botava ovos de ouro.

De posse desses campos, os estrangeiros vão comprar sondas e plataformas lá fora, sem gerar um só emprego na indústria brasileira. Vão contratar engenheiros e técnicos lá fora; vão controlar diretamente toda a inteligência de pesquisa e exploração em nosso pré-sal, o que também é um ataque a nossa soberania.

Esse ataque vem acontecendo desde o início do governo golpista, quando aprovaram a chamada Lei Serra, que excluiu a participação obrigatória da Petrobrás em todos os campos do pré-sal. Foi mais um golpe na indústria naval brasileira, que se somou à decisão de reduzir para 50% a obrigação da Petrobrás de comprar máquinas e equipamentos no Brasil, o chamado conteúdo local.

Na presidência da Petrobrás, Pedro Parente, representante do PSDB, iniciou a privatização de atividades estratégicas como a produção de biocombustíveis, distribuição de gás de cozinha, produção de fertilizantes e participações na petroquímica. Pôs à venda a Liquigás, a BR distribuidora, a fábrica de nitrogenados de Três Lagoas e o gasoduto do Sudeste (NTS).

Em outra manobra criminosa, reduziu em até 30% a produção de combustíveis nas refinarias brasileiras. Deixamos de produzir aqui, em reais, para importar em dólares. Fez reajustes quase diários dos combustíveis, acima dos preços internacionais, o que aumentou os lucros dos estrangeiros. A importação de óleo diesel dos Estados Unidos mais que dobrou.

Não podemos esquecer que os primeiros a sofrer com a nova política de preços da Petrobrás foram os mais pobres, que passaram a usar lenha e o perigosíssimo álcool para cozinhar, por causa do brutal aumento do botijão de gás.

Essa desastrosa política provocou, em maio, a paralisação dos transportes terrestres que tantos prejuízos provocou ao país. O Ipea acaba de informar que a produção industrial caiu 13,4% naquele mês. Não houve queda igual nem mesmo no primeiro mês da crise financeira global de 2008, quando o recuo foi de 11,2% (e cabe lembrar que superamos rapidamente aquela crise).

Em dois anos, foram mais de 200 mil demissões de trabalhadores da Petrobrás e de empresas contratadas por ela, além de mais de 60 mil demissões na indústria naval. A indústria de máquinas e equipamentos calcula uma perda de 1 milhão de empregos na cadeia de óleo e gás, em decorrência dessa política suicida.

A desvalorização do patrimônio da Petrobrás, com a venda de empresas controladas, a perda de mercado no Brasil, a opção por se tornar mera exportadora de óleo cru, entre outras ações danosas de Parente, é dezenas de vezes maior que os alegados R$ 6 bilhões que teriam sido desviados nos casos investigados pela Lava Jato.

A votação da semana passada na Câmara, em regime de urgência, sem nenhum debate com a sociedade, mostrou que o governo golpista tem uma pressa desesperada para entregar o patrimônio nacional e destruir nossa maior empresa.

A verdade é que o tempo deles está acabando. Correm para entregar o que prometeram aos patrocinadores do golpe do impeachment em 2016: nosso petróleo, nossas riquezas, as empresas dos povo, a Petrobrás, a Eletrobrás e os bancos públicos. Foi para isso, e para revogar direitos dos trabalhadores, que eles derrubaram a honesta presidenta Dilma Rousseff.

Ao longo de dois anos, os golpistas e os entreguistas do PSDB submeteram o Brasil aos interesses geopolíticos dos Estados Unidos, e não apenas na Petrobrás. A politica externa dos chanceleres tucanos voltou a ser ditada pelo Departamento de Estado dos EUA, num retorno vergonhoso ao complexo de vira-latas que tínhamos superado em nosso governo.

Mas o tempo deles acaba em outubro, quando o Brasil vai eleger um governo democrático, com legitimidade para reverter a agenda do entreguismo e do ultraliberalismo, que só interessa ao mercado e não ao país ou ao nosso povo. Quando o Brasil eleger um governo que vai acabar com a farra das privatizações e da entrega do patrimônio nacional.

Podem ter certeza: voltando ao governo, com a força do povo e a legitimidade do voto democrático, vamos reverter tudo que estão fazendo contra nossa gente, contra os trabalhadores e contra o país. E o Brasil vai voltar a ser dos brasileiros.

Luiz Inácio Lula da Silva

Ex-presidente e pré-candidato do PT à Presidência da República

*Artigo originalmente publicado no Jornal do Brasil

ARTIGO | Caçada à liberdade de expressão

Na semana em que o Brasil lamentou a perda de Alberto Dines, um dos mais notáveis jornalistas do país, o Maranhão foi surpreendido com anúncio feito pelo jornal “O Estado do Maranhão”, de propriedade do ex-senador José Sarney, de que o grupo político por ele liderado quer fechar a Rádio Timbira AM por até seis meses.

Com injustificado ar de regozijo, o jornal afirma que há quatro representações contra a emissora estatal na Justiça Eleitoral, Ministério Público Eleitoral e no Ministério das Comunicações, sob inconsistente argumento de que o veículo estaria sendo indevidamente usado com fins eleitorais.

Embora não seja novidade, é inusitado que o grupo que detém o maior conglomerado de comunicação do estado proponha fechar a única emissora de rádio pertencente ao povo do Maranhão.

Não há registro de qualquer desrespeito à legislação pela Nova 1290 Timbira AM. No período pré-eleitoral, a lei veda aos veículos de comunicação pedido explícito de voto, fato que jamais ocorreu na emissora.

Pelo contrário, a linha estabelecida na rádio é explícita para que todo o esforço da equipe seja voltado à prática de jornalismo ético, democrático e responsável.

O jornal do ex-senador Sarney faz referência a fato comprovadamente inexistente. A transmissão do ato político do ex-presidente Lula pela Timbira. O monitoramento da rádio exigência da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) demonstra que tal evento público jamais foi transmitido. Naquele ato, houve sim cobertura jornalística, pois se tratava de fato de interesse público. Conduta adotada pela emissora em atos de outros líderes presidenciáveis que visitaram o Maranhão, como Ciro Gomes (PDT), Geraldo Alckmin (PSDB), João Dória (PSDB), Guilherme Boulos (PSol), Rodrigo Maia (DEM). Aliás, pluralidade de vozes proporcionada também em nível estadual com reportagens que tiveram como protagonistas políticos de diferentes correntes ideológicas.

A Rádio Timbira, antes proibida pelo governo anterior de colocar ouvintes no ar, hoje se constitui no mais democrático espaço para a livre manifestação independentemente de ideologia, credo ou gênero em toda a programação. Isto resguardados os marcos da civilidade e do respeito ao regramento constitucional. Não cabem, pois, os argumentos das quatro representações que tentam colocar mordaça na primeira rádio do Maranhão. Isto posto, só resta uma explicação para que a emissora estatal incomode poderosos do estado: o jornalismo.

Sim, em pleno século 21, praticar jornalismo sério no Maranhão, dar voz a quem antes não tinha, é ato impensável para censuradores. Talvez porque seus arsenais midiáticos não informem a população sobre ações de interesse público nas mais diversas áreas.

A censura que tentam impor à Timbira é prática diária dos meios de comunicação sob controle daqueles que ora acusam a emissora. Por tudo isto, convido publicamente os autores das representações, os deputados Eduardo Braide (PMN), Adriano Sarney (PV), Andreia Murad (PRP) e Hildo Rocha (MDB), para entrevistas, ao vivo, em nossos estúdios. Oportunidade para demonstrar uma vez mais o caráter democrático e plural da Rádio Timbira. A Rádio de todos nós.

Radialista, jornalista, Secretário adjunto de Comunicação Social e diretor-geral da Nova 1290 Timbira AM.

Em artigo, Flávio Dino lembra de desfile de Joãosinho Trinta que abalou governo Sarney no final dos anos 80

O artigo desta semana do governador Flávio Dino homenageia o carnavalesco Joãosinho Trinta, “um revolucionário da alegria”. Ao lembrar de um dos mais importantes ícones do carnaval brasileiro, Dino destacou o desfile da escola Beija-Flor, em 1989.

Intitulado de “Ratos e Urubus, rasguem minha fantasia”, o histórico desfile falava dos pobres que encontravam no Carnaval um dia de alegria, e era uma crítica aberta e corajosa ao presidente José Sarney.

“Naquele fim dos anos 1980, o Brasil estava tomado pela tristeza de um governo que não havia sido eleito e que, perdido nos jogos de bastidor para se manter no poder, deixava a economia afundar em crise. Era o tempo da hiperinflação, fruto de um governante cuja visão oligárquica atrasada era evidentemente insuficiente para dirigir os destinos da ‘Nova República’”, escreveu Flávio Dino.

Neste cenário, o carnavalesco maranhense colocou em cadeia nacional a pobreza que o Brasil oficial de então tentava esconder. “Ao montar o desfile com mendigos, Joãosinho cantava um Brasil que também precisava entrar na passarela e mostrar a sua cara. Estava ali a síntese do que ele depois veio a teorizar como a ‘Revolução da Alegria’: inspirar-se na energia carnavalesca para mudar o Brasil o ano inteiro”, reiterou.

O governador realçou ainda que Joãosinho Trinta prognosticou que o país poderia se libertar por meio da grande energia do seu povo. “Que Joãosinho siga nos inspirando na passarela da vida. E sigamos desafiando com nossa alegria os que querem a volta da tristeza de todos para manter os privilégios de poucos”, finalizou Dino.

De Blog do Jorge Vieira.

ARTIGO – EDSON VIDIGAL | Noite de mascarados

Não eram como aquelas máscaras charmosas parecendo de louça de tão caprichado acabamento que nem aquelas máscaras dos carnavais de Veneza, a cidade aguada que ainda se mantém como se flutuasse sob suas histórias e lendas na geografia da Itália.

Máscara na origem, quero dizer no teatro grego, e também no teatro romano, servia para encobrir o rosto do ator que no enredo da peça em cartaz daria vida à personagem.

Com o tempo, o que se restringia ao teatro, no caso a máscara, ultrapassou as fronteiras dos palcos, ganhou os salões das festas, acobertou anonimatos nas alegrias das ruas e por que não, também, nos assaltos à mão armada.

A máscara dos assaltantes, é claro, dispensa sofisticação ou originalidade, sendo exemplo clássico a dos Irmãos Metralhas que, aliás, parecem trigêmeos, caras e focinhos iguais.

Na Ilha de São Luís houve um tempo em que as alegrias encabuladas ou extravasadas, dependentes de disfarces, sem outra saída, recorriam à máscara.
Eram muitos, nos carnavais, os bailes de mascarados nos subúrbios distantes. Anonimatos em segurança era por ali mesmo. Acontece que tem gente que se esconde atrás da máscara e como se diz sobre os bichanos acabam ficando com o rabo de fora. Ou seja, o que lhes delata é o rabo.
Gordo, magro, baixinho, altão, afinando ou engrossando a voz, por mais confiante que se mostre, o disfarce não convence.

Pelas tantas, os salões cheios, suor escorrendo e encharcando fofões, eis que num tom de voz afeminado um mascarado se dirige ao outro – eu te conheço, carnaval!

(Carnaval era o vocativo com o qual eles ou elas se tratavam entre si. No linguajar deles, equivalente, digamos assim, a vossa excelência, quem sabe?)
Como na marchinha do Chico, seja você quem for, seja o que Deus quiser, rolavam lances inimagináveis para a moral vigente de então.

Foi quando um Prefeito, o primeiro saído de um parto de urna, vontade do povo, voto direto, achando que iria agradar às famílias em suas sacralidades às descobertas, editou portaria proibindo máscaras nos bailes das periferias.

E não deu outra, – o povão reagiu revoltado. Primeiras páginas todo dia, repórteres de rádio nas portas dos bailes entrevistando mascarados. Naquele tempo, como diriam os evangelhos, ainda não havia TV-delivery.

Lembrei-me dos bailes de mascarados na Ilha do Amor enquanto assistia ontem pela televisão o desfile das personas ao microfone no plenário da Câmara dos Deputados declarando voto, sim ou não, ao arquivamento ou seguimento das acusações para tirar dos cargos o atual Presidente da República e dois dos seus mais achegados Ministros, confirmando ou não denúncias do então Procurador Geral da República, aquele que se celebrizou com aquela frase mais adequada hoje a beligerâncias selvagens de bem antes da entrada em cena de Diogo Alvares Correa, o Caramuru, – enquanto houver taboca, vai haver flecha!

Quando a tarde no planalto cansada da seca parecia bêbada pelos cantos de tanto esperar pela noite com suas invariáveis, nunca se viu tanta raiva mal ensaiada. Tanto de um lado quanto do outro.

Muita indignação. Como se aqueles atores ou atrizes encenassem uma peça de autoria anônima, quiçá coletiva, mas com direitos autorais reservados a cada um deles, traduzíveis em votos eleitorais. Ledo engano. Diga de lá, Ledo Ivo, meu grande poeta!
Como os antigos carnavalescos da Ilha do Amor, guardei o meu segredo, mas liberando o meu riso, fiz de conta que nem conhecia bem de perto muitos deles. Muitos mesmo, apesar das máscaras. Todas iguais.

Edson Vidigal, Advogado, foi Deputado Federal pelo Maranhão. E Presidente do Superior Tribunal de Justiça e do Conselho da Justiça Federal.

‘Não existe nenhum projeto aumentando impostos como diz o pessoal metido em máfias e quadrilhas’, afirma Flávio Dino

A insistência mentirosa da oposição comandada por Sarney no Maranhão em afirmar que o Profisco II, projeto de melhoria da gestão fiscal aprovado na Assembleia, consiste em aumento de impostos, acabou provocando uma reação indignada do governador do Estado, Flávio Dino.

Ele disse que “Esse pessoal que vive metido em problemas na Polícia e na Justiça, em máfias e quadrilhas, não tem escrúpulos em mentir. Uma pena”.

E esclareceu que “Não existe nenhum projeto de aumento de impostos tramitando. É apenas mais uma mentira de uns poucos inimigos da lei”.

Tanto mentem que escondem que foi o próprio Sarney, na condição de presidente do Senado quem assinou, em janeiro de 2010, a Resolução N 19, autorizando o Estado do Maranhão a contratar operação de crédito externo, com garantia da União, com o mesmo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), no valor de U$ 13 milhões e 200 mil (treze milhões e duzentos mil dólares americanos), de principal, destinada a financiar “Projeto de Fortalecimento da Gestão Fiscal do Estado do Maranhão, então chamado Profisco-MA.

Ora, em 2010, governo Roseana Sarney, o Estado do Maranhão foi autorizado pelo Senado Federal presidido pelo pai da governadora, o então senador José Sarney, a contratar a mesma operação de crédito, com o mesmo Banco, o mesmo objetivo e esse pessoal enrolado com a polícia e a Justiça não falou em aumento de impostos.

O que querem agora é provocar uma onda de terror no Estado, porque acham que só pobre deve pagar impostos. Mas no Maranhão não há mais espaço para crimes, nem de agiotagem, nem de corrupção, nem de sonegação fiscal. As empresas da sarneyzada também vão ter que prestar contas com o Fisco.

Apresse o passo da gentileza

Ninguém precisar ser o Super-Homem, afinal estamos sujeitos a falhas, apenas sejam gentis

Se existe uma coisa presente no nosso cotidiano, o nome dela é pressa. Na contramão, os atos de gentileza se dissipam nos costumes e nos esbarrões de ombros na correria da faixa de pedestre. E chega a ser irônico o começo deste texto, haja vista que a coluna atrasou uma semana por conta da danada pressa do dia a dia.

Mas vamos lá!

Estamos acostumados (ou desacostumados, depende do ponto de vista) a não ser gentis e, por consequência, não sabermos lidar com a gentileza quando ela resolve dar o ar da graça.

Digo isto porque, certa vez no supermercado, resolvi entregar a sacola de plástico para frutas a uma moça com uma criança no colo e ela se assustou com a atitude. Como eu estava na frente dela, achei melhor ela receber logo a sacola. Não somente pela criança no colo, mas porque facilita a vida de qualquer pessoa e que mal isso iria me fazer?

Mas para a pessoa, que com os olhos arregalados me deu essa certeza, a gentileza não é algo costumeiro dela receber ou talvez ela mesma praticar por aí. Em um mundo cibernético, apressado e selvagem na sobrevivência, a humanidade é posta de lado.

E a gentileza é um destes pontos que caracteriza o ato de ser humano. É cansativo? Ninguém disse que era fácil e nem todo dia o humor ajuda, mas ninguém tem nada a ver com os nossos problemas.

O mundo anda pesado e as pessoas também, por dentro e por fora. Mas você, e somente você escolhe se ajuda a ser este peso ou a pena. O que vale mais?

Ninguém precisar ser o Super-Homem, afinal estamos sujeitos a falhas, porém elas só não podem nos dominar por completo. Apenas sejam gentis.

Ajudar alguém a carregar uma sacola de compras ou até mesmo elogiar o novo corte de cabelo da colega de trabalho são sinais de gentileza. Aos mais céticos endurecidos (a maioria pela vida, que eu sei), relevem o excesso de doçura, mas são coisas assim que deixam mais leves o dia de cada pessoa.

Notamos a resposta no sorriso em agradecimento, no semblante aliviado. Talvez porque neste momento, demos à pessoa um fio de esperança na humanidade que, confesso, muitas vezes fica solto no ar.

Ser gentil é mais do que educação. É sinal da sabedoria, além da inteligência. É qualidade que liberta.

Até a próxima coluna!

As voltas que a vida faz no mesmo lugar

Pensei muito sobre o tema que iria tratar hoje, nesta coluna e, por isso também, demorei tanto a postá-la para vocês. Refleti, até porque existe um ALERTA SPOILER, em letras garrafais mesmo.

Mas vamos falar sobre o final da série How I Met Your Mother (Como conheci sua mãe) e um pouco de La La Land – Cantando Estações também para enfatizar o meu pensamento. Não é crítica de cinema, mas a forma como a vida é misteriosa em suas voltas e seus desdobramentos. Ficamos, às vezes, em uma espécie de déjà vu nesses círculos que ela dá.

A série e o filme citados falam de amor. Aliás, amores imperfeitos. Mas é só um exemplo. Apliquem em outras situações, vocês verão que é praticamente a mesma coisa.

Para começar, quero falar sobre as reações das pessoas diante de histórias de amor imperfeitas. Finais ditos “não muito felizes” são coisas do tipo que deixam muita gente até frustrada. Parar para pensar que aquela talvez não seja a hora de um romance acontecer, de fato deixa qualquer um angustiado a questionar se há justiça nesta terra de meu deus.

Mas é um fato. Nem sempre é a hora das coisas acontecerem.

A vida por si só pode ser vista como um rio perene que segue um curso e nunca volta para o mesmo lugar, mas nós somos os peixes que nela abrigamos, viajamos e podemos, vez ou outra, voltar ao local de partida, para cumprir um novo propósito, até o dia em que nosso papel aqui tiver terminado, enfim.

Muitas vezes, no “final” de tudo, estamos de volta a mesma situação e a mesma pessoa, mas diferentes por dentro e mudados, amadurecidos por todas estas voltas que a vida deu. Afinal, neste caminho não há somente planícies, mas sim declives até por demais.

E precisamos destes altos e baixos para crescermos e nos transformarmos em pessoas melhores, para nós mesmos e para quem um dia amamos muito, só não podemos ter por perto naquele determinado momento.

E esta é a verdadeira lógica de How I Met Your Mother (Como conheci sua mãe), um dos exemplos para este texto. Desde o começo, não fossem pelos vários alívios cômicos, o final já parecia meio óbvio. Isto se traduz da forma mais simples nas palavras dos filhos do personagem principal: “O senhor mais falou da Robin do que da nossa mãe a história inteira”.

Robin Scherbatsky, personagem de Cobie Smulders, é uma jovem jornalista aspirante a ter sucesso na profissão e sai do Canadá para conquistar este sonho em Nova Iorque, e conhece Ted Mosby, personagem de Josh Radnor. Este por sua vez, como protagonista da série, aos 27 anos, decide casar, ter filhos e toda perfeição que uma família “tradicional” exige.

Começo e fim e de volta ao começo

Ele se apaixona por Robin e ela, durante um tempo, se apaixona por ele. Mas ela quer focar na carreira apenas, não se imagina mãe, muito menos tem jeito com crianças, mas ele quer casar e ter tudo isto. Não era o momento, nem a hora.

Ao final, Ted conhece Tracy McConell, a mãe, interpretada por Cristin Milioti, que só aparece na última temporada. Tracy é tudo que o Ted buscava em alguém: doce, gentil, toca algum instrumento musical, canta lindamente e também cotem amor o suficiente por ele para encarar um casamento e dois filhos lindos. Mas, depois de tanta felicidade, Tracy falece. Algo que chocou e indignou muitas pessoas.

Mas, repito, é uma série, só que também uma representação da vida: nem tudo perfeito. E a volta que a vida deu em forma de série, meus amigos e amigas, foi esta: Ted, que havia feito uma promessa de rever e namorar Robin aos 40 anos, caso ela ainda estivesse solteira, faz isto. Mas não sem antes desabafar toda a sua história com os filhos já adolescentes.

Um desabafo e um pedido para que eles permitam sua felicidade com a pessoa que amou ainda jovem, a “Tia Robin”. Era o momento ideal. Ele teve seu casamento e filhos e ela já era uma apresentadora de TV famosa. E foram se encontrar, tentar novamente. Se ficaram juntos para sempre, os roteiristas deixaram no ar.

Mas foi lindo do mesmo jeito. Uma nova esperança e uma nova chance. E aí de amor imperfeito torna-se perfeito, porque a vida tem dessas belas surpresas, apesar das tristezas no caminho.

E o que o La La Land tem a ver? Bom, os personagens de Emma Stone (Mia) e Ryan Gosling (Sebastian) também seguem caminhos distintos por aspirações distintas apesar do grande amor entre eles. Cada um segue sua vida, conseguem o que querem e um dia se reencontram.

Mas tudo fica por isto mesmo, a não ser pelas lembranças de um lindo passado e os devaneios de ambos de “como seria se fosse diferente”. Reencontram-se, emocionam-se, apenas cumprimentam-se como amigos e retornam à vida que escolheram. Triste? Talvez. Mas são destas voltas que falo: nem sempre têm um nó, a não ser no peito.

O que diferencia é se teremos e, sobretudo, saberemos aceitar os sim’s e os não’s que a vida nos oferece. Voltamos ao ponto de partida apenas para saber se lá ficaremos (como Ted e Robin ficaram) ou seguiremos em frente (no caso de Mia e Sebastian). Só e somente isto.

 

Até a próxima coluna!