Em artigo, Flávio Dino lembra de desfile de Joãosinho Trinta que abalou governo Sarney no final dos anos 80

O artigo desta semana do governador Flávio Dino homenageia o carnavalesco Joãosinho Trinta, “um revolucionário da alegria”. Ao lembrar de um dos mais importantes ícones do carnaval brasileiro, Dino destacou o desfile da escola Beija-Flor, em 1989.

Intitulado de “Ratos e Urubus, rasguem minha fantasia”, o histórico desfile falava dos pobres que encontravam no Carnaval um dia de alegria, e era uma crítica aberta e corajosa ao presidente José Sarney.

“Naquele fim dos anos 1980, o Brasil estava tomado pela tristeza de um governo que não havia sido eleito e que, perdido nos jogos de bastidor para se manter no poder, deixava a economia afundar em crise. Era o tempo da hiperinflação, fruto de um governante cuja visão oligárquica atrasada era evidentemente insuficiente para dirigir os destinos da ‘Nova República’”, escreveu Flávio Dino.

Neste cenário, o carnavalesco maranhense colocou em cadeia nacional a pobreza que o Brasil oficial de então tentava esconder. “Ao montar o desfile com mendigos, Joãosinho cantava um Brasil que também precisava entrar na passarela e mostrar a sua cara. Estava ali a síntese do que ele depois veio a teorizar como a ‘Revolução da Alegria’: inspirar-se na energia carnavalesca para mudar o Brasil o ano inteiro”, reiterou.

O governador realçou ainda que Joãosinho Trinta prognosticou que o país poderia se libertar por meio da grande energia do seu povo. “Que Joãosinho siga nos inspirando na passarela da vida. E sigamos desafiando com nossa alegria os que querem a volta da tristeza de todos para manter os privilégios de poucos”, finalizou Dino.

De Blog do Jorge Vieira.

ARTIGO – EDSON VIDIGAL | Noite de mascarados

Não eram como aquelas máscaras charmosas parecendo de louça de tão caprichado acabamento que nem aquelas máscaras dos carnavais de Veneza, a cidade aguada que ainda se mantém como se flutuasse sob suas histórias e lendas na geografia da Itália.

Máscara na origem, quero dizer no teatro grego, e também no teatro romano, servia para encobrir o rosto do ator que no enredo da peça em cartaz daria vida à personagem.

Com o tempo, o que se restringia ao teatro, no caso a máscara, ultrapassou as fronteiras dos palcos, ganhou os salões das festas, acobertou anonimatos nas alegrias das ruas e por que não, também, nos assaltos à mão armada.

A máscara dos assaltantes, é claro, dispensa sofisticação ou originalidade, sendo exemplo clássico a dos Irmãos Metralhas que, aliás, parecem trigêmeos, caras e focinhos iguais.

Na Ilha de São Luís houve um tempo em que as alegrias encabuladas ou extravasadas, dependentes de disfarces, sem outra saída, recorriam à máscara.
Eram muitos, nos carnavais, os bailes de mascarados nos subúrbios distantes. Anonimatos em segurança era por ali mesmo. Acontece que tem gente que se esconde atrás da máscara e como se diz sobre os bichanos acabam ficando com o rabo de fora. Ou seja, o que lhes delata é o rabo.
Gordo, magro, baixinho, altão, afinando ou engrossando a voz, por mais confiante que se mostre, o disfarce não convence.

Pelas tantas, os salões cheios, suor escorrendo e encharcando fofões, eis que num tom de voz afeminado um mascarado se dirige ao outro – eu te conheço, carnaval!

(Carnaval era o vocativo com o qual eles ou elas se tratavam entre si. No linguajar deles, equivalente, digamos assim, a vossa excelência, quem sabe?)
Como na marchinha do Chico, seja você quem for, seja o que Deus quiser, rolavam lances inimagináveis para a moral vigente de então.

Foi quando um Prefeito, o primeiro saído de um parto de urna, vontade do povo, voto direto, achando que iria agradar às famílias em suas sacralidades às descobertas, editou portaria proibindo máscaras nos bailes das periferias.

E não deu outra, – o povão reagiu revoltado. Primeiras páginas todo dia, repórteres de rádio nas portas dos bailes entrevistando mascarados. Naquele tempo, como diriam os evangelhos, ainda não havia TV-delivery.

Lembrei-me dos bailes de mascarados na Ilha do Amor enquanto assistia ontem pela televisão o desfile das personas ao microfone no plenário da Câmara dos Deputados declarando voto, sim ou não, ao arquivamento ou seguimento das acusações para tirar dos cargos o atual Presidente da República e dois dos seus mais achegados Ministros, confirmando ou não denúncias do então Procurador Geral da República, aquele que se celebrizou com aquela frase mais adequada hoje a beligerâncias selvagens de bem antes da entrada em cena de Diogo Alvares Correa, o Caramuru, – enquanto houver taboca, vai haver flecha!

Quando a tarde no planalto cansada da seca parecia bêbada pelos cantos de tanto esperar pela noite com suas invariáveis, nunca se viu tanta raiva mal ensaiada. Tanto de um lado quanto do outro.

Muita indignação. Como se aqueles atores ou atrizes encenassem uma peça de autoria anônima, quiçá coletiva, mas com direitos autorais reservados a cada um deles, traduzíveis em votos eleitorais. Ledo engano. Diga de lá, Ledo Ivo, meu grande poeta!
Como os antigos carnavalescos da Ilha do Amor, guardei o meu segredo, mas liberando o meu riso, fiz de conta que nem conhecia bem de perto muitos deles. Muitos mesmo, apesar das máscaras. Todas iguais.

Edson Vidigal, Advogado, foi Deputado Federal pelo Maranhão. E Presidente do Superior Tribunal de Justiça e do Conselho da Justiça Federal.

‘Não existe nenhum projeto aumentando impostos como diz o pessoal metido em máfias e quadrilhas’, afirma Flávio Dino

A insistência mentirosa da oposição comandada por Sarney no Maranhão em afirmar que o Profisco II, projeto de melhoria da gestão fiscal aprovado na Assembleia, consiste em aumento de impostos, acabou provocando uma reação indignada do governador do Estado, Flávio Dino.

Ele disse que “Esse pessoal que vive metido em problemas na Polícia e na Justiça, em máfias e quadrilhas, não tem escrúpulos em mentir. Uma pena”.

E esclareceu que “Não existe nenhum projeto de aumento de impostos tramitando. É apenas mais uma mentira de uns poucos inimigos da lei”.

Tanto mentem que escondem que foi o próprio Sarney, na condição de presidente do Senado quem assinou, em janeiro de 2010, a Resolução N 19, autorizando o Estado do Maranhão a contratar operação de crédito externo, com garantia da União, com o mesmo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), no valor de U$ 13 milhões e 200 mil (treze milhões e duzentos mil dólares americanos), de principal, destinada a financiar “Projeto de Fortalecimento da Gestão Fiscal do Estado do Maranhão, então chamado Profisco-MA.

Ora, em 2010, governo Roseana Sarney, o Estado do Maranhão foi autorizado pelo Senado Federal presidido pelo pai da governadora, o então senador José Sarney, a contratar a mesma operação de crédito, com o mesmo Banco, o mesmo objetivo e esse pessoal enrolado com a polícia e a Justiça não falou em aumento de impostos.

O que querem agora é provocar uma onda de terror no Estado, porque acham que só pobre deve pagar impostos. Mas no Maranhão não há mais espaço para crimes, nem de agiotagem, nem de corrupção, nem de sonegação fiscal. As empresas da sarneyzada também vão ter que prestar contas com o Fisco.

Apresse o passo da gentileza

Ninguém precisar ser o Super-Homem, afinal estamos sujeitos a falhas, apenas sejam gentis

Se existe uma coisa presente no nosso cotidiano, o nome dela é pressa. Na contramão, os atos de gentileza se dissipam nos costumes e nos esbarrões de ombros na correria da faixa de pedestre. E chega a ser irônico o começo deste texto, haja vista que a coluna atrasou uma semana por conta da danada pressa do dia a dia.

Mas vamos lá!

Estamos acostumados (ou desacostumados, depende do ponto de vista) a não ser gentis e, por consequência, não sabermos lidar com a gentileza quando ela resolve dar o ar da graça.

Digo isto porque, certa vez no supermercado, resolvi entregar a sacola de plástico para frutas a uma moça com uma criança no colo e ela se assustou com a atitude. Como eu estava na frente dela, achei melhor ela receber logo a sacola. Não somente pela criança no colo, mas porque facilita a vida de qualquer pessoa e que mal isso iria me fazer?

Mas para a pessoa, que com os olhos arregalados me deu essa certeza, a gentileza não é algo costumeiro dela receber ou talvez ela mesma praticar por aí. Em um mundo cibernético, apressado e selvagem na sobrevivência, a humanidade é posta de lado.

E a gentileza é um destes pontos que caracteriza o ato de ser humano. É cansativo? Ninguém disse que era fácil e nem todo dia o humor ajuda, mas ninguém tem nada a ver com os nossos problemas.

O mundo anda pesado e as pessoas também, por dentro e por fora. Mas você, e somente você escolhe se ajuda a ser este peso ou a pena. O que vale mais?

Ninguém precisar ser o Super-Homem, afinal estamos sujeitos a falhas, porém elas só não podem nos dominar por completo. Apenas sejam gentis.

Ajudar alguém a carregar uma sacola de compras ou até mesmo elogiar o novo corte de cabelo da colega de trabalho são sinais de gentileza. Aos mais céticos endurecidos (a maioria pela vida, que eu sei), relevem o excesso de doçura, mas são coisas assim que deixam mais leves o dia de cada pessoa.

Notamos a resposta no sorriso em agradecimento, no semblante aliviado. Talvez porque neste momento, demos à pessoa um fio de esperança na humanidade que, confesso, muitas vezes fica solto no ar.

Ser gentil é mais do que educação. É sinal da sabedoria, além da inteligência. É qualidade que liberta.

Até a próxima coluna!

As voltas que a vida faz no mesmo lugar

Pensei muito sobre o tema que iria tratar hoje, nesta coluna e, por isso também, demorei tanto a postá-la para vocês. Refleti, até porque existe um ALERTA SPOILER, em letras garrafais mesmo.

Mas vamos falar sobre o final da série How I Met Your Mother (Como conheci sua mãe) e um pouco de La La Land – Cantando Estações também para enfatizar o meu pensamento. Não é crítica de cinema, mas a forma como a vida é misteriosa em suas voltas e seus desdobramentos. Ficamos, às vezes, em uma espécie de déjà vu nesses círculos que ela dá.

A série e o filme citados falam de amor. Aliás, amores imperfeitos. Mas é só um exemplo. Apliquem em outras situações, vocês verão que é praticamente a mesma coisa.

Para começar, quero falar sobre as reações das pessoas diante de histórias de amor imperfeitas. Finais ditos “não muito felizes” são coisas do tipo que deixam muita gente até frustrada. Parar para pensar que aquela talvez não seja a hora de um romance acontecer, de fato deixa qualquer um angustiado a questionar se há justiça nesta terra de meu deus.

Mas é um fato. Nem sempre é a hora das coisas acontecerem.

A vida por si só pode ser vista como um rio perene que segue um curso e nunca volta para o mesmo lugar, mas nós somos os peixes que nela abrigamos, viajamos e podemos, vez ou outra, voltar ao local de partida, para cumprir um novo propósito, até o dia em que nosso papel aqui tiver terminado, enfim.

Muitas vezes, no “final” de tudo, estamos de volta à mesma situação e a mesma pessoa, mas diferentes por dentro e mudados, amadurecidos por todas estas voltas que a vida deu. Afinal, neste caminho não há somente planícies, mas sim declives até por demais.

E precisamos destes autos e baixos para crescermos e nos transformarmos em pessoas melhores, para nós mesmos e para quem um dia amamos muito, só não podemos ter por perto naquele determinado momento.

E esta é a verdadeira lógica de How I Met Your Mother (Como conheci sua mãe), um dos exemplos para este texto. Desde o começo, não fossem pelos vários alívios cômicos, o final já parecia meio óbvio. Isto se traduz da forma mais simples nas palavras dos filhos do personagem principal: “O senhor mais falou da Robin do que da nossa mãe a história inteira”.

Robin Scherbatsky, personagem de Cobie Smulders, é uma jovem jornalista aspirante a ter sucesso na profissão e sai do Canadá para conquistar este sonho em Nova Iorque, e conhece Ted Mosby, personagem de Josh Radnor. Este por sua vez, como protagonista da série, aos 27 anos, decide casar, ter filhos e toda perfeição que uma família “tradicional” exige.

Começo e fim e de volta ao começo

Ele se apaixona por Robin e ela, durante um tempo, se apaixona por ele. Mas ela quer focar na carreira apenas, não se imagina mãe, muito menos tem jeito com crianças, mas ele quer casar e ter tudo isto. Não era o momento, nem a hora.

Ao final, Ted conhece Tracy McConell, a mãe, interpretada por Cristin Milioti, que só aparece na última temporada. Tracy é tudo que o Ted buscava em alguém: doce, gentil, toca algum instrumento musical, canta lindamente e também cotem amor o suficiente por ele para encarar um casamento e dois filhos lindos. Mas, depois de tanta felicidade, Tracy falece. Algo que chocou e indignou muitas pessoas.

Mas, repito, é uma série, só que também uma representação da vida: nem tudo perfeito. E a volta que a vida deu em forma de série, meus amigos e amigas, foi esta: Ted, que havia feito uma promessa de rever e namorar Robin aos 40 anos, caso ela ainda estivesse solteira, faz isto. Mas não sem antes desabafar toda a sua história com os filhos já adolescentes.

Um desabafo e um pedido para que eles permitam sua felicidade com a pessoa que amou ainda jovem, a “Tia Robin”. Era o momento ideal. Ele teve seu casamento e filhos e ela já era uma apresentadora de TV famosa. E foram se encontrar, tentar novamente. Se ficaram juntos para sempre, os roteiristas deixaram no ar.

Mas foi lindo do mesmo jeito. Uma nova esperança e uma nova chance. E aí de amor imperfeito torna-se perfeito, porque a vida tem dessas belas surpresas, apesar das tristezas no caminho.

E o que o La La Land tem a ver? Bom, os personagens de Emma Stone (Mia) e Ryan Gosling (Sebastian) também seguem caminhos distintos por aspirações distintas apesar do grande amor entre eles. Cada um segue sua vida, conseguem o que querem e um dia se reencontram.

Mas tudo fica por isto mesmo, a não ser pelas lembranças de um lindo passado e os devaneios de ambos de “como seria se fosse diferente”. Reencontram-se, emocionam-se, apenas cumprimentam-se como amigos e retornam à vida que escolheram. Triste? Talvez. Mas são destas voltas que falo: nem sempre têm um nó, a não ser no peito.

O que diferencia é se teremos e, sobretudo, saberemos aceitar os sim’s e os não’s que a vida nos oferece. Voltamos ao ponto de partida apenas para saber se lá ficaremos (como Ted e Robin ficaram) ou seguiremos em frente (no caso de Mia e Sebastian). Só e somente isto.

 

Até a próxima coluna!