Exposição sobre bumba meu boi costa-de-mão

Neste ano, o São João de Todos homenageia o bumba meu boi costa de mão, como parte das ações de proteção e salvaguarda a esse sotaque, e o Centro de Cultura Popular Domingos Vieira Filho (CCPDVF), espaço ligado à Secretaria de Estado da Cultura e Turismo (Sectur), abre a exposição ‘Sotaque costa de mão em dia de FÉsta’, na tarde desta sexta-feira (15), na Galeria Zelinda Lima, na Rua do Giz, 221, Praia Grande.

A exposição, que segue até o dia 4 de agosto, tem como objetivo a valorização e o reconhecimento desse sotaque, que tem um estilo único conhecido pela batida do pandeiro, feita com as costas das mãos, e um ritmo cadenciado marcado por instrumentos de percussão.

A mostra conta com indumentárias, instrumentos e outras peças características dos brincantes. O material foi cedido pelos grupos Boi Brilho de Areia Branca, Boi Brilho da Sociedade e do Boi Sociedade de Cururupu.

A abertura da exposição ‘Sotaque costa de mão em dia de FÉsta’ será marcada pela apresentação do Boi sotaque costa de mão ‘Soledade’, de Serrano, e pela roda de conversa ‘Identificação de grupos de bumba meu boi sotaque costa de mão em atividade, e diagnóstico sobre condições atuais’, que acontece a partir das l5h, no auditório Rosa Mochel, nas dependências do CCPDVF.

Durante a roda de conversa estarão presentes a pesquisadora da Universidade Federal do Maranhão, Mestra em Cultura e Sociedade, Juliana Nogueira, a Cientista Social do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Izaurina Nunes, e representantes do bumba meu boi sotaque costa de mão.

Sotaque

Os grupos praticantes do sotaque costa de mão são originários de grupos dos municípios de Cururupu, Serrano do Maranhão, Bacuri e São Luís. A indumentária é caracterizada pela riqueza dos bordados em calças, casacos e chapéus. Na cultura popular maranhense, o sotaque costa de mão junto com o sotaque de zabumba representam a identidade do povo negro dentro do bumba meu boi.

PROGRAMAÇÃO
Sexta-feira (Dia 15)
Centro de Cultura Popular Domingos Vieira Filho
Rua do Giz, 221, Praia Grande.

15h – Roda de Conversa ‘Identificação de grupos de bumba-meu-boi sotaque Costa-de-mão em atividade, e diagnóstico sobre condições atuais’.
Auditório Rosa Mochel

17h – Abertura da Exposição ‘Sotaque Costa de Mão em Dia de FÉsta’
Galeria Zelinda Lima

17h30 – Apresentação Cultural do Boi de Soledade
Pátio Valdelino Cécio

Com mais de 60 anos de dedicação, cantador une forças para preservar sotaque costa de mão

Na luta pelo resgate da tradição do bumba meu boi sotaque costa de mão – ritmo peculiar da região do Litoral Oriental do Estado –, o Governo do Maranhão, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e os próprios representantes da cultura se unem pela preservação da identidade do grupo folclórico.

Marcante pela batucada entoada pelo movimento das costas das mãos dos brincantes ao tocar nos pandeiros, o sotaque tem origem em Cururupu e possui um ritmo mais lento que os bois de matraca. Os tambores-onça e os maracás também complementam a sonoridade desses grupos. Quanto aos personagens, destacam-se os vaqueiros campeadores e de cordão, os tapuias (uma espécie de estrangeiro que não pertence a tribo), os tocadores e as índias.

Quem conta um pouco da luta e da história do sotaque costa de mão é um dos conservadores do estilo, o cantador e proprietário do Boi Sociedade de Cururupu em Tagipuru, Umbelino dos Santos Pimenta, conhecido pelos mais íntimos como Belo.

Com 75 anos de idade, ele relata que mais de 60 deles foram intensos dentro das brincadeiras. Umbelino está entre os nomes mais fortes e resistentes dessa cultura, e não é à toa. Ele mantém o seu próprio boi há 40 anos. Belo conta que a paixão pelo bumba meu boi começou quando ainda era garoto, por volta dos 10 anos, quando seu pai de criação custeava as apresentações dos bois nos festejos de São João, na cidade de Cururupu.

Nesse período, em 1953, ele já quebrava todos os protocolos, e além de brincar nos boizinhos infantis, por volta dos seus 8 anos, ele também acompanhava os adultos nos bois oficiais da época.

“Quando acabava as apresentações das crianças, eu pegava meu maracazinho e ia pro boi de gente grande. Sempre gostei. Com isso, eu peguei o costume… Eu brincava era de vaqueiro e tinha, como ainda tenho, muito orgulho do que fazia, representando minha cultura e minha origem. Sempre tive na minha consciência de que o bumba meu boi é um brinquedo que traz diversão, mas é um brinquedo sério”, conta.

De volta

Quando se fala da tradição do boi sotaque Costa de Mão, seu Belo se emociona e relata que durante estes 40 anos em que realiza a brincadeira, como proprietário, muitas perdas aconteceram. “Às vezes eu paro e penso que já foi a época do costa de mão. Ele já esteve no páreo entre as melhores brincadeiras do nosso estado, mas com o tempo foi se perdendo. Eu lembro que tínhamos por volta de 18 bois neste sotaque. Era o meu, do meu irmão, tinha uma senhora que tinha um na Vila da Conceição, entre outros.  Tivemos que lutar muito para sair do grupo C do São João, e nos tornar do grupo A. Penei muito para levar o nome do costa de mão e tomara que agora a gente possa levantá-lo”, diz Belo.

Enfatizando a questão, Umbelino disse que este é o momento de resgatar a tradição. “Temos muito caminho andado e de missão cumprida. Estamos precisando só de um empurrãozinho, que eu acredito que agora vá com essa parceria do Iphan e do Governo apoiando a gente. Tendo esse empurrão, o costa de mão sobe. Olha o tipo de indumentária que a gente tem. Olha a força de vontade que nos colocamos nessa festa!”, expressa o cantador.

Umbelino atrela o risco de extinção do sotaque costa de mão ao desestímulo dos jovens da atualidade. “Hoje tem muitos sotaques de bois, e esses outros que surgem vêm tirando a nossa atenção. O povo que nasce agora não quer saber de tradição, então vai se perdendo, vai se deixando de lado. Esses jovens querem saber daquela boniteza, que mostra o corpo, mas não querem saber das raízes, do que ficou lá atrás. E é isso que está acabando com a nossa brincadeira. E nós não podemos ficar de braços cruzados, temos que criar uma forma que eles enxerguem a gente para que essa tradição seja eternizada”, diz.

Tradição e inovação

Para o São João 2018, ano em que o sotaque costa de mão está sendo homenageado, Umbelino trará na estampa do Boi Sociedade de Cururupu em Tagipuru a representação da natureza com rios, as variações do sol (nascendo e se pondo), o céu, as palmeiras do coco babaçu, os verdes da mata e uma índia em meio ao tempo. “A gente precisa manter a tradição, mas também precisamos atrair o grande público e essa vai ser uma das nossas novidades”, detalha Belo.

O gestor do Patrimônio Imaterial do Estado, Neto Azile, diz que a ideia é fazer uma ação de preservação e valorização destes grupos. “No período bem passado, eram 18 grupos de costa de mão e hoje existem apenas 6 grupos. E no ano passado dançaram apenas 4 grupos. Com o trabalho de resgate dessa tradição conseguimos credenciar para o São João do Maranhão 7 grupos que vão se apresentar nos arraiais”, comenta.

Ele reitera que a ideia é dar visibilidade para que as pessoas possam conhecer o sotaque e sua peculiaridade, devido à marca bastante forte de sua matriz africana dos quilombos, da área do Litoral Oriental Maranhense. “A marca desse sotaque é a percussão, que vem dos pandeirões, além das vestes que são de ricos bordados tradicionais prensados em bermudas e coletes em veludos. Outra característica deste sotaque são os chapéus em formato de cone e fitas coloridas”, enfatiza.

O Governo do Maranhão tenta resgatar nesse processo a proposta que surge com a parceria com o Iphan, que em 2011 reconheceu o bumba meu boi como patrimônio cultural e imaterial brasileiro nos cinco sotaques. “É uma preocupação do Iphan a extinção de um destes sotaques que pode comprometer o título. O Governo entendeu que precisava realizar as medidas de salvaguarda, medidas de proteção para preservar esta tradição e está atuando para isso”, complementa.

Uma das medidas adotada pelo Governo foi tirar esses bois do processo seletivo e colocá-los diretamente no quadro de apresentações em todos os arraiais oficiais, onde estes grupos abrirão todas as noites a programação.

“Temos que mostrar para todas as comunidades para que elas possam conhecer os grupos e a partir daí dar a maior valorização. Além desse momento da festa, todas as casas de cultura do Estado estarão com exposição de suas indumentárias e suas características. Teremos, também, diálogos e rodas com mestres, além das apresentações nas próprias comunidades destes grupos”, orienta.

São João de Todos 2018 homenageará o Bumba Meu Boi Costa de Mão

Os festejos juninos deste ano, promovidos pelo Governo do Maranhão em parceria com a Prefeitura de São Luís, terão como grande homenageado um dos mais peculiares sotaques de bumba meu boi, o Costa de Mão. A ideia é valorizar esses grupos que têm um estilo único, conhecido pela batida do pandeiro que é feita com as costas das mãos e um ritmo cadenciado marcado por instrumentos de percussão.

Na programação do São João de Todos 2018, os grupos de Bumba meu boi Costa de Mão foram contemplados com apresentação de abertura em todos os arraiais oficiais. A ideia é dar maior visibilidade a esse estilo de Bumba-meu-boi, levando toda a magia e brilho para o público.

Para o secretário de Estado de Cultura e Turismo, Diego Galdino, valorizar os Bois Costa de Mão significa evidenciar todo o conjunto cultural do Bumba meu boi do Maranhão. “É preciso manter viva essa brincadeira, com sua diversidade de estilos e riqueza de expressões. Este ano, esperamos repetir o sucesso que é o São João de Todos, uma festa democrática com um maior número de brincadeiras, feita para encantar o público com tradição e diversidade cultural”.

Conforme levantamento feito pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional no Maranhão (Iphan), de um total de 18 grupos identificados no estado, de 2001 a 2017, apenas seis ainda estão em atividade e destes, somente quatro fizeram apresentações públicas em 2017.

O presidente do Conselho Estadual de Cultura, Neto de Azile, afirmou que a campanha pela valorização dos bois de Costa de Mão é fundamental por se tratar de um bem cultural em risco. “A ideia é dar visibilidade e assegurar o reconhecimento da expressão como parte do conjunto de sotaques do Bumba-meu-boi. A extinção de um sotaque pode inclusive comprometer a revalidação do título de patrimônio cultural brasileiro atribuído ao Bumba meu boi”, alertou.

Os grupos de Bumba meu boi, sotaque Costa de Mão, são originários da região do Litoral Ocidental Maranhense, tendo como berço o município de Cururupu. Tem um ritmo cadenciado marcado por instrumentos de percussão, como caixa, maracá e pandeiro.

A indumentária é caracterizada pela riqueza dos bordados em calças, casacos e chapéus. São originários de grupos dos municípios de Cururupu, Serrano do Maranhão, Bacuri e São Luís. Na cultura popular maranhense, representam, com o sotaque de Zabumba, a identidade do povo negro dentro do Bumba-meu-boi.

Prévias e temporada Junina

O São João de Todos 2018 dá início à sua programação nesta sexta-feira, 1º de junho, com a programação das prévias juninas que acontecem a partir das 18h, no Canto da Cultura, localizado no cruzamento das ruas Portugal e da Estrela, na Praia Grande, centro histórico. Aos domingos, o Pré São João também conta com programação especial no Parquinho da Litorânea. No canto da cultura as prévias acontecem sempre às sextas-feiras e no Parquinho da Litorânea, sempre aos domingos.

A temporada oficial do São João de Todos 2018 será realizada de 15 de junho a 1º de julho com festejos em vários pontos de São Luís e Imperatriz. Na capital os arraiais oficiais serão no Ipem (Centro Social dos Servidores do Estado), Vila Palmeira, Praça Maria Aragão e Nauro Machado no centro histórico (somente às sextas-feiras).

Os arraiais de bairros, que contam com apoio do Governo do Estado, levarão alegria e tradição para o João Paulo, Bairro de Fátima, João de Deus, Liberdade, Cohatrac, Anil, Anjo da Guarda, Cidade Operária, Vila Embratel, Largo Santo Antônio (no período de 23 a 30 de junho), e Cohajap (de 1º a 13 de junho).

Os espaços vão oferecer ao público uma vasta programação com uma média de seis apresentações por noite entre shows e apresentações de brincadeiras que valorizam a riqueza e diversidade de expressões da cultura popular, além de comércio de pratos típicos da gastronomia maranhense e peças do artesanato.

O Governo do Estado apoia, ainda, as tradicionais festas, como a Festança Junina do Ceprama, o Encontro de Gigantes, os encontros de grupos de Bumba Meu Boi da Capela de São Pedro (29), na Madre Deus, o festejo de São Marçal (30), no bairro do João Paulo, o Festival de Zabumbas e o Encontro de Miolos de Boi.

Lista final dos classificados para o São João de Todos sai nesta sexta-feira (25)

A Comissão de Classificação das atrações do São João de Todos 2018 vai divulgar nesta sexta-feira (25) a lista final dos grupos aprovados. Na última segunda-feira (21), foi divulgado a lista preliminar. A partir de então, entrou a fase de recursos.

A seleção compreendeu, primeiramente, a etapa de habilitação de documentos. Depois, veio a fase da classificação. Os grupos tiveram, então, um prazo para entrar com eventuais recursos. E agora, na sexta-feira, sai o resultado final.

“Essa Comissão de Classificação se baseia em aspectos tradicionais e simbólicos do imaginário cultural maranhense, com pessoas que têm vivência técnica e de notório saber na área da cultura popular do Estado”, conta Neto de Azile, presidente do Conselho Estadual de Cultura.

A comissão é formada for integrantes do Conselho Estadual de Cultura e profissionais com qualificação técnica e conhecimento das tradições e culturas maranhenses.

Entre eles, estão profissionais como pedagogo, consultor, presidente de grupo cultural, artista, acadêmico, produtor cultural, antropólogo e pesquisador.

Para ver a lista e o perfil de quem participa da comissão, clique aqui.

Costa de mão

Neto de Azile conta que só não foram para o processo de classificação os grupos de Bumba Meu Boi Costa de Mão. Eles são o tema do São João de Todos 2018.

Todos os grupos de Costa de Mão habilitados foram diretamente classificados com pontuação máxima. “Foi uma forma de preservar esses grupos, que estão em sério processo de enfraquecimento e até extinção”, afirma Azile.

São sete grupos de Costa de Mão habilitados e já garantidos no São João de Todos neste ano.

Conhecido pela batida do pandeiro que é feita com as costas das mãos, os grupos são originários da região do Litoral Ocidental Maranhense, tendo como berço o município de Cururupu. Têm um ritmo cadenciado marcado por instrumentos de percussão, como caixa, maracá e pandeiro.

A indumentária é caracterizada pela riqueza dos bordados em calças, casacos e chapéus. São originários de grupos dos municípios de Cururupu, Serrano do Maranhão, Bacuri e São Luís. Na cultura popular maranhense, representam a identidade do povo negro dentro do Bumba Meu Boi.