Bloco Criolina com Elza Soares arrasta multidão na Beira-Mar e consolida circuito Joãozinho Trinta

Teve folia, cultura, criatividade, diversão. O Bloco Criolina formado pelos cantores maranhenses Alê Muniz, Luciana Simões e convidados, arrastou uma multidão de gente a perder de vista, na segunda- feira, 12, segundo dia do circuito Joãozinho Trinta – Beira Mar, realizado pelo Governo do Maranhão, em parceria com a Prefeitura de São Luís.  O bloco comandado pela dupla consagrada da música maranhense teve como grande atração da festa Elza Soares que levou ao palco criatividade, irreverência e muita música.

A concentração do bloco começou às 16h, na Praça Maria Aragão, com os blocos Afros que abriram o circuito com um banho de axé. Logo em seguida, os Blocos Alternativos continuaram a festa mostrando beleza e encantos do carnaval de São Luís. A animação era grande e a expectativa do público, também.

“Eu esperei 47 anos pra ver a Beira Mar repleta de foliões, pulando e brincando em um Carnaval como este. É totalmente diferente de tudo o que já aconteceu em São Luís”, falou o publicitário Fábio Azevedo, 47 anos. “A gente está num clima de ansiedade muito grande para saber o que vai acontecer nesse segundo dia de circuito com grandes cantores maranhenses e a grande Elza Soares”, comentou o folião, no aguardo das atrações do Bloco Criolina.


O governador Flávio Dino participou de todo o circuito da folia na noite da segunda-feira, tanto na Beira-Mar, como na passarela do samba, e com muita animação, ressaltou o crescimento do carnaval como festa tradicional do calendário brasileiro que valoriza a criatividade e pluralidade da cultura e também como forma de geração de renda e trabalho para a população.

“É uma grande conquista para os maranhenses uma folia bonita como esta, segura para a família e que fornece oportunidade de renda aos trabalhadores informais. O circuito Beira-Mar, denominado de Joãozinho Trinta, veio para ficar. Enquanto cidadão, estou muito feliz de ver esta grande festa, é a chance de mostramos para o mundo a diversidade da nossa cultura. Vale ressaltar os tradicionais circuitos, como Madredeus e a Passarela do Samba, que há décadas embala o ritmo da folia com seu consagrado desfile de escolas e blocos”, afirmou o governador.

Bota pra moer!

A proposta visual do bloco foi inspirada numa estética psicotropicalista. Em homenagem a Elza Soares, cujo álbum mais recente se chama A Mulher do Fim do Mundo, Alê Muniz encarnou o Guerreiro do Fim do Mundo enquanto Luciana Simões se vestiu de Gladiadora do Centro da Terra pra chamar atenção de uma campanha contra o assédio feminino.

“A minha fantasia provém de uma campanha que estamos fazendo contra o assédio feminino no carnaval. A fantasia está focada no respeito as mulheres, é “pediu pra parar, parou”, destacou a artista.
No palco, a dupla levantou os foliões com clássicos do carnaval brasileiro, além de releituras de canções de Jorge Benjor, Sérgio Sampaio, Beth Carvalho, Caetano Veloso e Zé Ramalho, entre outros. Na força do refrão, a multidão seguiu atrás do bloco, que formou uma grande corrente de alegria, caminhando pela Beira Mar, em direção à Casa do Maranhão.
Antes de iniciar o Show, a convidada especial do bloco, Elza Soares, falou sobre a felicidade de cantar no Carnaval do Maranhão. “Gosto do circuito de rua. Quando vejo o povo feliz, eu fico feliz também. O Maranhão faz parte da minha vida desde que comecei minha carreira artística. O Estado me escolheu, e hoje vou oferecer o melhor de Elza Soares ao público”, prometeu e cumpriu a cantora.Já no palco, pode-se nitidamente ver e sentir que o mundo não acabou, mas a mulher do fim do mundo ‘botou pra moer’ no Carnaval de Todos 2018. Elza Soares colocou o público para sair do chão com sucessos de sua extensa carreira musical.

A cantora abriu o show com “Meu choro não é nada além de carnaval, é lágrima de samba na ponta dos pés. A multidão avança como vendaval. Me joga na avenida que não sei qual é”… (A Mulher do fim do mundo). Além de outros sucessos da cantora como ‘Carne Negra’, ‘Malandro e Dança’ esteve no repertório que lavou a alma de quem pulava no bloco.

Mas se Elza subisse ao palco e não fizesse a galera pensar em um País melhor, em igualdade social, racismo, violência doméstica, homofobia e empoderamento feminino, não seria Elza Soares. A artista que já começou a gravar o próximo álbum, que agora proclama no título: “Deus É Mulher”, pediu que o povo brasileiro vá as ruas não só para pular o carnaval.

“Eu vejo o povo brasileiro participando do carnaval com toda força e vontade, será que não teria força também para ir para as ruas reivindicar um País melhor? Nós temos que gritar todos os dias por melhorias! Eu sinto o povo coagido, parece que não tem vontade de mudar. Eu acho que está na hora de começar a gritar pelo País”, declarou a protagonista da noite, Elza Soares.

A diversidade sonora do circuito foi completa, ainda, com as participações de Rosa Reis, Jegue Folia e Bicho Terra com o melhor da música maranhense.

Carnaval de PazO espaço que virou tradição da folia de Momo na gestão do governador Flávio Dino, o circuito Beira Mar, não decepcionou os brincantes. Quem passou pelo circuito se impressionou com a segurança.

A professora Gisele Fernandes, 32 anos, levou as duas filhas para o circuito da Beira Mar. Com o policiamento no espaço, ela se sentiu mais tranquila para aproveitar a brincadeira. “Eu sempre gostei muito de carnaval, mas depois que meus filhos nasceram não saí mais. Não me sentia segura para vir com eles. Mas hoje estou tranquila, estou me divertindo e eles também, já pularam e brincaram muito. Está tudo muito bom”, disse a mãe.

Para maior tranquilidade durante as festividades de carnaval, o Governo do Maranhão ampliou o efetivo mobilizado nas ações de segurança durante esse período na capital. Só em São Luís, sete mil policiais foram destacados para atuar em todos os circuitos. O número de policiais militares mobilizados é maior do que o dos anos anteriores, assim como o quantitativo de viaturas. O policiamento está sendo desenvolvido a pé (patrulhas), a cavalo, em viaturas e motocicletas, e também contou com o apoio do Centro Tático Aéreo (CTA), que fez o patrulhamento aéreo na região.

A iniciativa foi aprovada pelos foliões. “Nunca tinha vindo para esse carnaval, mas esse ano decidi sair de casa porque vi que tinha muito reforço na segurança. Estou achando tudo muito organizado, especialmente porque a polícia está toda na rua. A gente se sente mais tranquilo para brincar e se divertir”, avaliou.

Em artigo, Flávio Dino lembra de desfile de Joãosinho Trinta que abalou governo Sarney no final dos anos 80

O artigo desta semana do governador Flávio Dino homenageia o carnavalesco Joãosinho Trinta, “um revolucionário da alegria”. Ao lembrar de um dos mais importantes ícones do carnaval brasileiro, Dino destacou o desfile da escola Beija-Flor, em 1989.

Intitulado de “Ratos e Urubus, rasguem minha fantasia”, o histórico desfile falava dos pobres que encontravam no Carnaval um dia de alegria, e era uma crítica aberta e corajosa ao presidente José Sarney.

“Naquele fim dos anos 1980, o Brasil estava tomado pela tristeza de um governo que não havia sido eleito e que, perdido nos jogos de bastidor para se manter no poder, deixava a economia afundar em crise. Era o tempo da hiperinflação, fruto de um governante cuja visão oligárquica atrasada era evidentemente insuficiente para dirigir os destinos da ‘Nova República’”, escreveu Flávio Dino.

Neste cenário, o carnavalesco maranhense colocou em cadeia nacional a pobreza que o Brasil oficial de então tentava esconder. “Ao montar o desfile com mendigos, Joãosinho cantava um Brasil que também precisava entrar na passarela e mostrar a sua cara. Estava ali a síntese do que ele depois veio a teorizar como a ‘Revolução da Alegria’: inspirar-se na energia carnavalesca para mudar o Brasil o ano inteiro”, reiterou.

O governador realçou ainda que Joãosinho Trinta prognosticou que o país poderia se libertar por meio da grande energia do seu povo. “Que Joãosinho siga nos inspirando na passarela da vida. E sigamos desafiando com nossa alegria os que querem a volta da tristeza de todos para manter os privilégios de poucos”, finalizou Dino.

De Blog do Jorge Vieira.