OPINIÃO | Improvável duelo eleitoral

O duelo eleitoral entre o governador Flávio Dino (PCdoB) e a ex-governadora Roseana Sarney (MDB) parece cada vez mais improvável. A mdebista apostava em três fatores para entrar na disputa pelo governo do Estado: viabilidade eleitoral, apoio político e poderio midiático.

Com base nesse tripé, o plano do grupo Sarney era consolidar o projeto até dezembro de 2017. Janeiro chegou e todos os cenários são amplamente desfavoráveis à tentativa do sarneísmo voltar ao poder.

No âmbito eleitoral, as pesquisas divulgadas pela TV Difusora e pelo Jornal Pequeno, em dezembro passado, mostraram favoritismo do governador Flávio Dino à reeleição.

Além de ver Dino liderar com mais de 60% dos votos válidos, Roseana Sarney, variando entre 27% e 30% das intenções de voto, tem a maior rejeição entre os pré-candidatos, segundo dados dos Institutos Exata e Datailha.

Na seara política, a desvantagem de Roseana Sarney é ainda mais visível. Enquanto o governador comunista manteve praticamente intacta a aliança que o levou ao Palácio dos Leões, em 2014, a mdebista amarga quase completo isolamento. A maioria dos partidos historicamente aliados do sarneísmo anunciou apoio ao governo e à pré-candidatura do PCdoB.

Ao menos seis legendas PRB, PP, PR, DEM, PROS e PTB estarão na aliança liderada por Flávio Dino.

Não por acaso, o ex-senador José Sarney vetou a nomeação do deputado federal Pedro Fernandes (PTB) para o Ministério do Trabalho. A desesperada tentativa de recuperar o apoio do PTB tinha o simbolismo de um troféu a ser exibido pelo chefe maior da oligarquia como demonstração de força para os políticos. Deu com os burros n’água!

A postura firme, leal do presidente do PTB escancarou ao Maranhão e ao Brasil, a política coronelista e retrógrada praticada por Sarney e a candidatura caricata de Roseana Sarney.

– Mas, Sarney é detentor de um império midiático capaz de causar avarias na imagem de governos e políticos. Diria, um observador!

Sim, verdade que Sarney tem um oligopólio de comunicação encabeçado pela afiliada da Rede Globo, dezenas de emissoras de TVs e outras tantas de rádios, jornal e portal de internet. De fato, não é desprezível!

Contudo, o ambiente da comunicação do Maranhão não mais permite a criação de factóides como a “morte e ocultação de cadáver de Reis Pacheco”, sem a devida constatação da verdade com a celeridade e pluralidade propiciada pela internet e redes sociais.

Ademais, pelo menos, metade da população do estado não se informa pela TV Mirante, pois acessa TV por parabólica. Cada vez maior também é o índice da população com acesso à internet, especialmente via celular. Isto é, com informações ao alcance das mãos.

Com o revés do clã Sarney nos campos eleitoral, político e midiático, resta-lhes a influência sobre o presidente Michel Temer e o apoio deste para Roseana Sarney. Recente pesquisa divulgada pelo Ibope mostra que 90% dos eleitores não votam em candidatos que apóiam governo Temer.

Decerto, uma temeridade para a improvável candidatura de Roseana Sarney. O Maranhão está próximo de livrar-se de vez do passado coronelista.

Radialista, jornalista. Secretário adjunto de Comunicação Social e diretor-geral da Nova 1290 Timbira AM

Sarney Filho diz que Flávio Dino é democrata e desautoriza Roseana

O ministro Sarney Filho (Meio Ambiente) desautorizou a irmã Roseana Sarney (PMDB), na manhã da última quinta-feira (11), no ato público de entrega da duplicação da BR-135, e ampliou o abismo político entre os herdeiros do sarneysmo.

A distância entre os dois parece bem maior que os cerca de 50 km, que os separavam no momento do ato político. Nos estúdios da Rádio Mirante AM, de propriedade do clã, a ex-governadora do Maranhão criticava o governador Flávio Dino. No Campo de Periz, Sarney Filho precisou de apenas onze segundos para reconhecer qualidades do governador do PCdoB e enterrar as pretensões da irmã.

“O governador Flávio Dino é um governador democrata. É um governador que tem elevado o nível de participação dos políticos no seu governo”, discursou Sarney Filho.

Foi em vão o esforço de Roseana Sarney que, por 14 minutos e 47 segundos, tentou negar práticas utilizadas pelo grupo Sarney em meio século de domínio coronelista no Estado.

“Somos um grupo que nunca foi tido como perseguidor. Nunca perseguimos ninguém, nunca odiamos ninguém”, repetia, numa espécie de exercício de autoconvencimento.

Sem situar concretamente a quem ou ao que se referia, Roseana Sarney disse que “as pessoas gostam de traição, mas não gostam de traidor” e afirmou estar tentando reunificar a classe política com o povo maranhense. Como diria Garrincha, esqueceu de combinar com “russo” irmão e ministro Sarney Filho.

HISTÓRICO DE REJEIÇÃO

A relação política entre Sarney Filho e Roseana Sarney não é das mais amistosas. Em 1990, Sarney Filho teve a pré-candidatura ao governo lançada, mas foi preterido na disputa pelo então candidato Edison Lobão.

Em 1994, Roseana Sarney foi escolhida candidata do grupo ao governo.

Em 2004, o ex-governador Zé Reinaldo defendia Sarney Filho para a sucessão, mas passou a ser alvo de ataques de Roseana Sarney. Rompeu com o grupo Sarney e apoiou a candidatura vitoriosa de Jackson Lago (PDT), depois cassado num golpe jurídico patrocinado pelos Sarneys.

Em 2017, Sarney Filho decidiu lançar candidatura ao Senado contrariando a irmã, que vê no projeto mais um empecilho na tentativa de voltar ao Palácio dos Leões.

Diferente do passado, Sarney Filho não esconde o desconforto em ter Roseana Sarney como companheira de chapa, conforme noticiaram recentemente jornalistas da GloboNews e Valor Econômico. Segundo eles, o ministro do Meio Ambiente disse ter maiores chances de eleição para o Senado numa chapa liderada pelo senador Roberto Rocha (PSDB).

Antes, ao anunciar a pré-candidatura, em junho do ano passado, Sarney Filho afirmou a O Imparcial, que não formaria chapa com a irmã na disputa pelo Senado.

Provável que os elogios públicos de Sarney Filho a Flávio Dino acirrem ainda mais a disputa dos irmãos pelo que sobrou do espólio sarneysta.

 

Pesquisa Exata/JP: Roseana Sarney e Roberto Rocha lideram rejeição

A pesquisa realizada pelo Instituto Exata em parceria com o Jornal Pequeno e divulgada no último domingo aferiu também o índice de rejeição dos pré-candidatos ao governo do Estado para as eleições do ano que vem. Neste quesito, a ex-governadora Roseana Sarney aparece disparada em primeiro lugar com 49% de reprovação do povo maranhense.

Em segundo lugar está o senador Roberto Rocha com 29% de rejeição entre o eleitorado do Maranhão. Empatados na última posição estão a ex-prefeita de Lago da Pedra, Maura Jorge, e o governador Flávio Dino, ambos na casa dos 20%, de acordo com a pesquisa Exata/JP.

Vitória em primeiro turno

O levantamento realizado mostra que o governador Flávio Dino venceria a eleição em primeiro turno com 63% dos votos. A ex-governadora Roseana Sarney mantém-se em segundo lugar, mais de 30 pontos atrás, com 29%.

Em terceiro lugar, aparecem empatados com 4% o senador Roberto Rocha e a ex-prefeita de Lago da Pedra, Maura Jorge. Em relação à pesquisa realizada em outubro, Flávio Dino subiu três pontos e Roseana Sarney, um. Já o senador Roberto Rocha caiu três pontos e a ex-prefeita, um.

A pesquisa foi realizada entre os dias 27 de novembro e 1º de dezembro, ouvindo 1.415 eleitores em todas as regiões do estado. A margem de erro é de 3,2 pontos percentuais.

GloboNews compara banquetes de Sérgio Cabral e Roseana Sarney; veja

Blog da Andréia Sadi

Camarão, bacalhau e queijo de cabra. A relação é de iguarias encontradas pelo Ministério Público na cadeia onde estão presos da Lava Jato no Rio- mas lembra uma outra lista: a de itens licitados que abastecem residências oficiais, com dinheiro público.

A similaridade dos quitutes mostra como os políticos que hoje estão presos têm dificuldade para se desapegar de uma espécie de “cultura dos palácios”, mas, agora, no cárcere.

Descolados da realidade, muitos políticos usam dinheiro público ou verba suspeita para custear suas mordomias – seja de deslocamento (como jatinhos e aviões da FAB), seja de alimentos.

Um dos mais emblemáticos é o caso da licitação milionária promovida pela então governadora do Maranhão Roseana Sarney em 2014, em meio ao caos nos presídios de São Luís, para comprar alimentos de “primeira qualidade”.

Como se estivesse alheia à barbárie na segurança pública, Roseana licitou em janeiro de 2014 itens para suntuosos banquetes: 80 kg de lagosta, 120 kg de bacalhau do porto de “primeira qualidade”, 750kg de patinha de caranguejo, uma tonelada de camarão e oito sabores de sorvete.

Tudo isso em meio ao caos nos presídios do Complexo de Pedrinhas. Na lista, entraram, entre outros, queijos finos, geleias, castanhas.

Ao todo, o Estado do Maranhão previa gastar R$ 1 milhão para alimentar a família da governadora e seus convidados naquele ano – tanto na sede do governo, como na casa de praia.

A licitação para o banquete só foi suspensa porque foi descoberta.

O episódio envolvendo o ex-governador Sergio Cabral e seus amigos na semana passada – revelado pela GloboNews – indica que a “cultura dos palácios” parece permanecer viva – agora, dentro dos presídios, ocupados por políticos que se locupletaram do dinheiro público. No caso específico, dinheiro que compra muito mais do que 80 kg de lagosta.

Pesquisa aponta: Flávio Dino amplia vantagem sobre Roseana em Imperatriz

O atual governador e pré-candidato a reeleição, Flávio Dino (PCdoB), ampliou a vantagem sobre a ex-governadora Roseana Sarney (PMDB) em Imperatriz. É o que aponta pesquisa do Instituto Interpretar feita com exclusividade para o jornal Correio Popular, sobre a intenção de votos do imperatrizenses para as eleições de 2018.

De acordo com o levantamento, no mês de agosto Dino contava com 51% das intenções de votos válidos em Imperatriz, contra 23% de Roseana. Já em novembro, Dino subiu para 65% dos votos válidos e Roseana oscilou para 26%. A vantagem, que era de 28 pontos percentuais, subiu para 39 pontos.

Ou seja, nos últimos quatro meses o comunista obteve um crescimento junto ao eleitorado de Imperatriz de mais de dez pontos percentuais nos votos válidos. Com isso, ampliou sua vantagem para vencer ainda no 1º turno – ao menos de depender dos votos dos imperatrizenses.

Dino segue na frente

Os números favoráveis a Dino são reflexo da boa aceitação popular do atual governo em Imperatriz, item que também foi analisado na pesquisa. Segundo a projeção, a gestão Dino tem 64,3% de aprovação na maior cidade do Sul do Maranhão.

Na aprovação popular de seu governo, Flávio Dino também teve uma elevação no período. Em agosto, 54% dos imperatrizenses apoiavam seu governo. Em novembro, esse número cresceu para 65%.

Este ano, o Governo do Maranhão entregou o serviço de oncologia infantil na cidade, bem como a iluminação da avenida Pedro Neiva. Está em fase de conclusão da obra da Beira Rio, e o Hospital Macrorregional completou um ano de serviço.

A pesquisa do Instituto Interpretar foi realizada no dia 10 de novembro em Imperatriz, ouvindo 600 pessoas. O levantamento tem margem de erro de 4 pontos percentuais.

DataIlha/Difusora confirma: Flávio Dino tem 30 pontos de vantagem sobre Roseana

O atual governador Flávio Dino (PCdoB) mantém vantagem sobre a ex-governadora Roseana Sarney (PMDB) também na pesquisa DataIlha/Difusora divulgada esta segunda-feira (16). Em novo levantamento, Dino tem 30 pontos de vantagem sobre Roseana: 62% contra 28% dos votos válidos.

As intenções de voto em Dino refletem a aprovação de sua gestão. Mais de 61% dos entrevistados dizem aprovar a atuação de seu governo.

 

Os números confirmam levantamento recente da pesquisa Exata/JP, que também aponta vitória de Flávio Dino no primeiro turno. Em levantamento feito no início do mês, o outro instituto aferiu Flávio Dino com 60% das intenções de voto contra 28% de Roseana. Segundo a pesquisa Exata, 61% dos maranhenses aprovam a gestão Dino, enquanto 36% desaprovam. Outros 3% não sabem ou não responderam.

A pesquisa DataIlha/Difusora foi colhida entre os dias 9 e 11 de outubro ouvindo 2.128 maranhenses em 38 municípios.

A pesquisa também ouviu a intenção de voto dos maranhenses para os candidatos a presidente. Lula tem 66% das intenções de voto contra 14% do segundo colocado, Jair Bolsonaro. Marina Silva tem 7 pontos, Dória 2% e Alckmin 1%.

Relatório da CGU-MA aponta desvio de recursos durante gestão Roseana Sarney

Recursos que seriam utilizados para combater as cheias no Maranhão em 2009 foram desviados de sua finalidade durante gestão da ex-governadora Roseana Sarney, conforme apontado em relatório da Corregedoria Geral da União.

Segundo informações do Blog do Garrone, o Ministério da Integração Nacional reprovou parcialmente a prestação de contas dos R$35 milhões destinados pelo ex-ministro Geddel Vieira Lima. Segundo o parecer, R$ 18 milhões deixaram de ser devidamente utilizados no estado.

Em Nota Técnica, a CGU explica que o governo Roseana Sarney utilizou o dinheiro que seria para a recuperação de escolas e postos de saúde atingidos pelas cheias em asfalto a vias que não haviam sido danificadas pela intempérie.

Segundo a Controladoria, metade dos recursos foram utilizados de forma irregular. O relatório aponta desvios de finalidade, execução de projetos não emergenciais, possíveis fraudes em licitações e qualidade aquém do ideal nos serviços executados.

De acordo com o relatório obtido pelo blog do Garrone, e publicado nesta terça (26), de R$ 17.083.054,58 (valores da época) fiscalizados pela CGU em 24 municípios, R$ 8.584.210,43 foram gastos de forma irregular pelo governo Roseana Sarney.

Os recursos desviados deixaram de atender municípios como Buriti de Inácia, Itapecuru, Matinha, São Bernardo e Vagem Grande. Todos castigados pelas enchentes no ano de 2009.

Só em Itapecuru, as cheias deixaram quase 17 mil pessoas sem casa, com cerca de 10 bairros debaixo d’água.

“A execução financeira desses recursos contemplou obras de pavimentação urbana, mais relacionadas a conforto e bem estar da população munícipe em contraste a uma situação de calamidade ou emergência na qual se faz urgente a intervenção do Poder Público”, diz a Nota Técnica.

Segundo a CGU, em São Bernardo houve aplicação irregular de 86% dos recursos destinados à recuperação dos danos provocados pelas cheias.

Dos R$ 295.819,21, R$ 256.179,44 foram aplicados em cinco ruas da zona urbana cuja inundação até então era desconhecida, segundo relatos dos moradores aos técnicos da CGU.

Confira a nota técnica:

Flávio Dino lidera pesquisa com mais de 20 pontos à frente de Roseana Sarney, diz pesquisa

O governador Flávio Dino lidera a corrida para as eleições 2018 com mais de 20 pontos de vantagem sobre a ex-governadora Roseana Sarney (PMDB) e venceria em primeiro turno em todos os cenários. É o que mostra pesquisa realizada pelo Instituto Data Ilha, entre os dias 28 e 30 de agosto.

Se as eleições para o governo do Estado fossem hoje, Flávio Dino teria 52,47% dos votos, enquanto Roseana teria 30,51%. Brancos e nulos somam 10,74% e 6,27% não sabem ou não responderam.

Em votos válidos a diferença é ainda maior. Flávio Dino aparece com 63,23% dos votos válidos contra 36,77 de Roseana Sarney.

Diferença fixa

Na pesquisa espontânea, Flávio Dino lidera com cerca de 40% das intenções de votos e Roseana Sarney tem menos de 20%. Brancos e nulos 7,18%. Não sabem ou não responderam 28,47%.

O Instituto Data Ilha ouviu 2.104 pessoas em 37 cidades de todas as regiões do Estado. A margem de erro da pesquisa é de 3,3 pontos percentuais para mais ou para menos com intervalos de confiança de 95%

OPINIÃO | Malas e montanhas de dinheiro público explicam apoio de Michel Temer à candidatura de Roseana Sarney ao governo do Maranhão

JM Cunha Santos

Malas, montanhas de dinheiro público, explicam as boas relações da organização criminosa que se apossou do Palácio do Planalto, chefiada por Michel Temer, com o grupo Sarney no Maranhão. O martelo foi batido: Roseana Sarney é a candidata de Michel Temer, o comprador de deputados, ao governo do Maranhão em 2018. São farinha do mesmo saco e ambos paramentados por imagens de malas de dinheiro circundando seus governos, ontem como hoje.

O CASO LUNUS

O CASO USIMARCompletam-se 15 anos que a Polícia Federal apreendeu, em março de 2002, R$ 1,3 milhão em dinheiro vivo no escritório da empresa Lunus, de propriedade de Roseana Sarney e de seu marido, Jorge Murad, gerando uma crise política que transformou em farrapos a candidatura da extrema direita à Presidência da República. A candidata seria Roseana Sarney. Mas a apreensão da grana suja dos Sarney não deu em nada. Um ano depois, um falacioso Supremo Tribunal Federal arquivaria, por falta de provas, o processo contra Roseana Sarney decorrente da ação da Polícia Federal. Ficaram, entretanto, as imagens de montanhas de dinheiro no escritório de uma empresa particular de Roseana Sarney circulando em jornais e revistas do Brasil e do mundo e emporcalhando a imagem do Maranhão lá fora.

Antes desse desonroso episódio, a Polícia Federal já havia acusado a governadora Roseana Sarney, seu marido Jorge Murad, o presidente do Senado, Jader Barbalho e mais 19 pessoas de formação de organização criminosa, tráfico de influência, peculato e lavagem de dinheiro em razão de fraudes no projeto da Usimar Equipamentos Automotivos, financiado pela extinta Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam). A quadrilha foi acusada de desviar R$ 44,2 milhões da Sudam e a fábrica de autopeças que seria construída em São Luís nunca saiu do papel. A Polícia Federal chegou a suspeitar que o dinheiro encontrado no escritório da Lunus, a empresa de Roseana Sarney e Jorge Murad, era parte do golpe aplicado contra a Sudam. E num último episódio envolvendo malas de dinheiro, o governo Roseana Sarney foi acusado de receber R$ 3 milhões em propina para liberar um precatório de 154 milhões da empresa da UTC Constran.

AS MALAS DE MICHEL TEMER

Talvez que as malas de dinheiro que sempre rondaram os governos de Roseana Sarney nem sejam da mesma marca das que rondam o senhor Michel Temer, nem se aproximem em qualidade das que Temer deve ter despachado para os deputados que comprou, nem sejam importadas como aquela em que Rocha Loures carregava R$ 500 mil como pagamento da propina semanal do hoje presidente da República. Mas a afinidade ideológica corrupta é indiscutível. É dinheiro do povo, roubado escandalosamente enquanto esse estado e seu povo patinavam na miséria absoluta, sem segurança, sem saúde e sem educação.

Infelizmente, para desgraça e vergonha ainda maior desse estado, são malas e montanhas de dinheiro público que explicam porque Roseana Sarney é a candidata de Michel Temer no Maranhão.

Inquérito da PM confirma armação de Roseana contra Flávio Dino em 2014

Jornal Pequeno – Um inquérito instaurado pela Polícia Militar confirmou uma armação do grupo Sarney para tentar inviabilizar a vitória do então candidato a governador Flávio Dino., nas eleições de 2014. Uma operação policial direcionada a um irmão do então candidato foi armada para tentar criar uma denúncia contra Dino. Três anos depois, um inquérito militar confirmou que houve conduta arbitrária, ilegal e abusiva e que a decisão da operação partiu diretamente do antigo comando da corporação, no governo Roseana Sarney.

Na madrugada do dia 03 de setembro de 2014, a PM realizou uma abordagem na altura do Posto da Estiva, em São Luís, em um veículo Hilux – que fora perseguido por um gol prata do serviço velado – conduzido por Saulo Dino, irmão do então candidato pelas oposições contra a governadora Roseana Sarney. Ao contrário do que foi divulgado oficialmente à época, a blitz foi montada especialmente para fazer a abordagem. A barreira policial durou cerca de 1h e o único veículo que foi abordado para inspeção completa durante toda a madrugada tinha sido o do irmão de Flávio Dino.

O inquérito instaurado a partir da delação de policiais militares que participaram da abordagem e do próprio Saulo Dino apresenta representação por crime de abuso de autoridade contra os oficiais que comandavam as instâncias superiores no governo Roseana Sarney.

Os depoimentos dos policiais confirmam que no dia 02 de setembro de 2014 o coronel Francisco Wellington, comandante do Batalhão de Choque, recebeu um telefonema do coronel Zanoni Porto – comandante-geral da PMMA na gestão da ex-governadora Roseana Sarney – para repassar uma missão que tinha como objetivo abordar um veículo tipo caminhonete de cor branca que possivelmente estaria com drogas e armas, segundo a Diretoria de Inteligência e Assuntos Estratégicos (DIAE), comandada pelo coronel José Carvalho.

A ex-governadora Roseana Sarney , a comandante em chefe da Polícia Militar em 2014Em seu depoimento, o major Wellington detalhou que no final da tarde do dia que antecedeu a abordagem chegou a comparecer na sala do comando geral da PMMA e ouviu do próprio comandante-geral Zanoni que havia uma “operação policial” em andamento. Segundo ele, os suspeitos estavam hospedados no Grand São Luís Hotel e sendo monitoradas por policiais do chamado ‘serviço velado’ da PMMA.

Ainda de acordo com o major Wellington, o coronel Carvalho disse que era para ele aguardar os ‘suspeitos’ serem abordados, pois eles ainda estavam no hotel e o serviço de inteligência estava monitorando. Segundo o inquérito, Wellington afirmou que, ao tomar conhecimento do resultado da abordagem, se viu preocupado e cogitou que a “PMMA estivesse sendo usada para fins particulares por conta das disputas eleitorais que se aproximavam”.

A abordagem – O tenente Samarino Santana, que fora o oficial que comandou a abordagem no veículo “alvo”, afirmou que recebeu ordens diretamente do coronel Zanoni e do coronel Carvalho, que lhe fora repassado que a abordagem se daria em virtude de suspeitas do veículo estar transportando drogas, armas e dinheiro. Ele estranhou estar recebendo ordens daquela forma, diretamente do comandante da PMMA e do chefe do Serviço de Inteligência, pois o usual seria que recebesse tais ordens do comandante do batalhão a que está inserido.

Em seu depoimento, o tenente Samarino assegurou que durante a abordagem aproximaram-se dois policiais do serviço velado da PMMA. Ele conversou com um deles, o sargento Issac, que afirmou que estavam seguindo a Hilux branca desde cedo, o que também corrobora a afirmação de Saulo Dino de que ele estivesse sendo perseguido por um gol prata.

O policial militar Samarino afirmou perceber que, “ao identificar o condutor da Hilux como sendo um irmão do então candidato ao Governo do Estado do Maranhão, aquela abordagem possuísse fins políticos, pois estava em andamento uma campanha para governador”.

 Análise de imagens – Contam ainda no inquérito imagens do CIOPS (Centro Integrado de Operações de Segurança) em que é possível perceber que efetivamente a blitz realizada naquele dia e horário não se tratava de uma barreira policial de rotina, circunstância que foi corroborada pelos depoimentos dos policiais militares envolvidos na ação.

Segundo o inquérito, não houve abordagem sistêmica a outros veículos, e quando houve – de apenas um – este resumiu-se a solicitar documentos, sem qualquer busca no interior. Além disso, havia uma ordem articulada por oficiais superiores com alvo específico, a caminhonete branca de Saulo Dino.

Ainda de acordo com a investigação, com as imagens é claro o direcionamento na abordagem do veículo conduzido por Saulo, vez que os próprios militares afirmam que a barreira fora montada para abordar uma Hilux, o que contradiz os depoimentos dos oficiais Zanoni e José Carvalho no sentido de que a referida blitz fazia parte de uma gama de operações que eram realizadas à época.

Interesses privados – Conforme o inquérito, ficou que, na madrugada do dia 03 de setembro de 2014, policiais militares deram cumprimento a ordem superior. “No caso em apreço, não houve, sob o pálio do poder de polícia, simples abordagem para fins de fiscalização, mas sim conduta arbitrária, ilegal e abusiva”.

Ainda segundo a investigação, os policiais militares executores da ‘missão’ cumpriram ordem do comando geral da PMMA, emanada pelos oficiais Zanoni e Carvalho. “Não há nos autos qualquer indício que corrobore as declarações de ambos os investigados no sentido de que a abordagem fora decorrente de operação policial rotineira e no interesse do serviço público. Há sim, por outro lado, indícios de que a abordagem, temerária e mal organizada, objetivava atender interesses privados”, diz o inquérito.

Após a investigação policial, os oficiais Zanoni Porto e José Carvalho foram processados e julgados perante o Tribunal de Justiça do Estado do Maranhão resultando na aceitação da transação penal proposta pelo Ministério Público e homologada pelo juízo. Ambos os envolvidos cumpriram integralmente o teor do acordo judicial e reconheceram a prática de conduta arbitrária, ilegal e abusiva.