CORONAVÍRUS

Aplicativo Monitora Covid-19 ajuda a reduzir riscos para os maranhenses, diz secretário

Desde o início de maio, qualquer cidadão pode fazer o download gratuito do aplicativo Monitora Covid-19, ferramenta desenvolvida pelo Consórcio… [ ]

10 de maio de 2020

Desde o início de maio, qualquer cidadão pode fazer o download gratuito do aplicativo Monitora Covid-19, ferramenta desenvolvida pelo Consórcio Nordeste, do qual o Maranhão faz parte, para registro de informações da população com suspeita de coronavírus.

A ideia é garantir diagnóstico remoto e preservar a população que cumpre o distanciamento social em casa de uma possível infecção em ambiente hospitalar.

A tecnologia do app é integrada com o registro eletrônico de saúde e possibilita à gestão do SUS um painel de controle com visualização do tempo de quarentena de cada paciente por região.

Com mais 60 mil usuários já cadastrados – até o momento disponível apenas para o sistema operacional Android -, a ferramenta surge como novidade para que equipes médicas e pesquisadores façam o rastreamento e mapeamento mais célere dos casos da doença. Esta é a avaliação do Secretário de Políticas Públicas do Maranhão, Marcos Pacheco.

Médico sanitarista, Marcos Pacheco é um dos membros do Comitê Científico de Prevenção e Combate ao Coronavírus no Maranhão e representante maranhense no Comitê Científico do Consórcio Nordeste, que lançou o Monitora Covid-19.

Nesta entrevista, ele fala sobre o funcionamento e a eficácia da aplicação e sobre o papel do Consórcio Nordeste no combate ao novo coronavírus.

Em linha gerais, como funciona o aplicativo Monitora Covid-19?

Marcos Pacheco – Qualquer pessoa em qualquer lugar do Maranhão pode baixar o aplicativo no seu celular. Lá ela vai fazer um cadastro e vai descrever os sintomas e todo o seu quadro clínico, o que ela sente e o que ela não sente, porque o aplicativo tem respostas “sim” e “não”.

Ao final desse questionário, automaticamente o aplicativo faz uma espécie de extratificação do risco dela. Se é verde, amarelo, laranja, azul ou vermelho, sendo que, quanto mais próximo do vermelho, maior o risco e quanto mais próximo do verde, menor o risco.

Como a ferramenta pode fazer a diferença no combate ao novo coronavírus no Maranhão?

Marcos Pacheco – Essa ferramenta tem uma tripla importância. A primeira importância é colocar na mão de qualquer pessoa um instrumento onde o cidadão pode dizer o que está sentindo, onde ele está e como ele está, de maneira que sirva para a comunicação automática com uma retaguarda de profissionais de saúde.

Em poucas horas ele tem uma resposta dos sintomas que está expondo. Quanto mais vermelha for a situação, mais rápida deve ser a resposta.

A segunda importância é que ele mapeia as pessoas que estão com sintomas. Na medida em que as pessoas entrarem no aplicativo e apontarem o que estão sentindo, quem está na ponta – a gestão de saúde e o governo – vai saber onde essas pessoas estão, onde elas se concentram e qual a distribuição delas.

É praticamente um georreferenciamento da distribuição dos casos sintomáticos. Já que não podemos ir à casa das pessoas, fazemos com que elas venham até o governo, até um sistema de notificação de agravos. Interconectados com o aplicativo, temos como saber onde podemos fazer maiores investimentos.

A terceira importância é a formação de um banco de dados muito rico que serve inclusive para pesquisas sobre a distribuição dos casos, a faixa etária dos casos, a quantidade de casos por sinal de risco e como é que esses casos foram conduzidos.

O aplicativo é fruto de parceria com o Consórcio Nordeste, que desde sua criação vem promovendo mais integração entre os estados da região. Qual o papel do Consórcio no enfrentamento à Covid-19 no Nordeste brasileiro?

Marcos Pacheco – Tem uma importância absolutamente estratégica, na medida em que você juntou todos os governadores da região em um fórum e esses governadores deliberaram pela criação de um Comitê Científico para ficar “alimentando” esse Fórum de Governadores a partir de três frentes de trabalho.

Uma frente acompanha as pesquisas que estão sendo desenvolvidas no mundo inteiro com relação a essa doença. Esse comitê fica fazendo revisão e análises dessas pesquisas.

Outra frente de trabalho atua em relação aos equipamentos, tanto EPIs [Equipamentos de Proteção Individual] quanto equipamentos médico hospitalares, como o desenvolvimento de respiradores. O Comitê também acompanha o desenvolvimento desses instrumentos e dessas ferramentas, no sentido de legitimar o seu uso.

O terceiro grupo desenvolve modelos matemáticos para fazer previsão de curvas de incidência, de curva de letalidade, notificação, subnotificação e de distribuição de casos em todo o Nordeste.

É a partir dessas três frentes de acompanhamento que o grupo de governadores vem tomando suas decisões políticas. As decisões políticas são tomadas a partir de um acervo técnico e científico de discussão que é prévia às decisões políticas. Essas decisões políticas têm muito mais probabilidade de serem acertadas porque são baseadas na ciência.

Qual o diferencial dessa ferramenta para o trabalho desenvolvido pelos profissionais de saúde?

Marcos Pacheco – O Monitora Covid-19 foi desenvolvido para mapear, estudar e analisar a geodistribuição da doença. É um aplicativo muito interessante porque, passada essa epidemia, nós vamos poder usá-lo em outros problemas.

A pandemia de Covid-19 tem nos trazido muitas lições, muito aprendizado. Como todos dizem, nós não seremos os mesmos depois dela. Nós vamos mudar, vamos aprimorar algumas técnicas, vamos melhorar e qualificar os nossos processos de trabalho e essa ferramenta é um bom exemplo disso.

O que uma pessoa com suspeita de Covid-19 ganha ao optar primeiro pelo acompanhamento via aplicativo, para em um segundo momento recorrer a uma unidade de saúde?

Marcos Pacheco – Ela ganha em agilidade. Vai ter a possibilidade de ter uma resposta rápida se ela se enquadrar como caso vermelho, ou mesmo ela se enquadrando como situação laranja ou amarela, ela vai ter uma reposta.

Ou seja, enquanto ela não piora e não sente nenhum sinal de alarme, ela pode ficar só no aplicativo. Agora, se ela sentir algum sinal de alarme, tem que imediatamente procurar uma unidade de saúde.

São três os sinais de alarme que podem ser automonitorados pelo próprio aplicativo: febre persistente, tosse muito intensa e recorrente e – o mais importante – o desconforto respiratório, ter dificuldade para respirar. Se a pessoa tiver um desses três sinais de alarme ela deve procurar uma unidade de saúde.

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