Conheça o projeto ‘Jovem Guardião’, que resgata jovens do crime

“É uma guerra que a gente ainda não venceu, mas, a cada luta, a gente cresce e se desenvolve mais”,… [ ]

4 de agosto de 2017

“É uma guerra que a gente ainda não venceu, mas, a cada luta, a gente cresce e se desenvolve mais”, diz o estudante Natan Barros, 17 anos, sobre a atuação do Projeto Jovem Guardião em parceria com o Governo do Estado na busca pela ressocialização de adolescentes infratores.

Cerca de 80 jovens guardiões se reuniram com o governador Flávio Dino no Palácio dos Leões nesta semana para mostrar resultados do projeto ao longo de um ano. Eles contaram histórias emocionantes, como quando salvaram a vida de um adolescente recém-saído de uma unidade de internação da Fundação da Criança e do Adolescente do Maranhão (Funac).

“Gelliel estava sendo ameaçado de morte porque se recusou a voltar para a facção”, conta o jovem guardião Jhonatan Soares, 28 anos. A família do adolescente pediu socorro aos voluntários, e a rede de proteção oferecida pela Funac foi acionada.

“Por conta do nosso trabalho e da parceria com a Funac, podemos dizer que Gelliel escapou da estatística de adolescentes mortos ao sair das unidades de internação”, afirma Jhonatan.

O projeto Jovem Guardião consiste em duas etapas. Na primeira fase, os voluntários levam música e brincadeiras para os internos das unidades em visitas semanais, a fim de inspirar os adolescentes a traçar um plano de vida fora da criminalidade.

Ao retornarem para casa após cumprir as medidas socioeducativas, os adolescentes são acompanhados de perto pelos voluntários, em reforço à atenção prestada pelos Centros de Referência de Assistência Social.

Novo amanhã

“Trabalhei como educador social no Centro de Internação Canaã e via muitos adolescentes voltando. Eles cumpriam as medidas socioeducativas, mas acabavam retornando à unidade”, diz Ribamar Souza, 24 anos.

Integrante da Pastoral da Juventude, Ribamar idealizou o projeto Jovem Guardião como solução para a reincidência de adolescentes infratores. A proposta foi submetida à Arquidiocese de São Luís, virou projeto e iniciou atividades em 2016.

Atualmente, dez paróquias estão envolvidas com o projeto de ressocialização. São cerca de 100 voluntários, entre 17 e 28 anos, moradores de bairros da periferia como Cidade Operária, Cidade Olímpica, Anjo da Guarda e Vila Luizão. Duas igrejas na região da BR-135, zona rural, também fazem parte da iniciativa.

Questão de oportunidade

“Estou no projeto porque acredito na juventude”, diz a jovem guardiã Mariane Silva de Souza, 27 anos. “Vejo o adolescente infrator como um jovem da periferia, assim como eu. Se ele tiver uma oportunidade, pode ter um futuro diferente”, afirma.

Para defender seu ponto de vista, Mariane traz dados. De acordo com a voluntária, 88% dos jovens maranhenses que cometem ato infracional são pardos e negros e 55% são oriundos de famílias com renda de apenas um salário mínimo.

“Esse jovem, na faixa dos 12 a 21 anos, também representa um perigo menor à sociedade do que costuma ser propagado na mídia”, explica Mariane, detalhando que 75% das apreensões de adolescentes no estado correspondem a roubo, sendo mínimas as ocorrências de latrocínio e demais crimes hediondos.

Combate ao preconceito

“Ter jovens com experiências positivas, abertos para conhecer os adolescentes atendidos pela Funac e comprometidos em acompanhá-los depois que saem das unidades é, para nós, um sinal de esperança”, declara a presidente da Funac, Elisângela Correia Cardoso.

Os jovens guardiões também desenvolvem um trabalho de sensibilização nas comunidades para combater o preconceito contra os egressos da Funac. A ideia é fortalecer os vínculos desses adolescentes com vizinhos e família, aumentando as chances de ressocialização.

Políticas públicas

“Não há possibilidade de a gente combater essa realidade sem, de fato, investir nas escolas”, declara o governador Flávio Dino, reiterando que, além de apoiar o projeto Jovens Guardiões, lançou programas para a juventude em sua gestão, a maioria voltada para a melhoria da educação pública.

“Já requalificamos mais ou menos 600 escolas do estado, e temos 1.235 escolas no Maranhão. Significa dizer que, em dois anos, recuperamos metade das nossas escolas”, frisa Dino sobre os resultados do programa Escola Digna. Bolsa Escola, CNH Jovem e Cidadão do Mundo são outros programas direcionados aos jovens maranhenses.

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