Lobão e Rocha criticam Dino, mas não explicam quebra de acordo com prefeitos

Os senadores Edison Lobão (PMDB) e Roberto Rocha (PSDB) publicaram notas para contestar as declarações do governador Flávio Dino (PCdoB),… [ ]

20 de outubro de 2017

Os senadores Edison Lobão (PMDB) e Roberto Rocha (PSDB) publicaram notas para contestar as declarações do governador Flávio Dino (PCdoB), mas não explicaram as razões da quebra de acordo feito com a Federação dos Municípios do Maranhão (Famem). Pelo acordo, a emenda impositiva da bancada federal no valor de R$ 160 milhões seria destinada para os municípios investirem em saúde pública.

A nota assinada pelo senador Roberto Rocha confirma implicitamente a informação de que os senadores exigiram 50% dos recursos da emenda para destinação livre a ser feita por eles. “As emendas parlamentares, como bem diz o nome, são prerrogativas dos deputados e senadores do Maranhão. Cabe a eles, e somente a eles, decidir o destino das emendas”, afirma o tucano.

Os senadores pediram também ao coordenador da bancada federal, deputado Rubens Júnior (PCdoB) a retirada de parte dos recursos destinados à instalação do ITA (Instituto Tecnológico da Aeronáutica) no Maranhão para obras executadas por construtora do empresário Luciano Lobão, filho do senador do PMDB.

A crítica do governador Flávio Dino à falta de espírito público dos senadores maranhenses por se recusarem a assinar a emenda de bancada, foi classificada por Rocha como “fanfarras retóricas para intrigar a população com seus representantes”.

Dino considerou absurdo que a população seja prejudicada pelos senadores para supostamente atingi-lo. Ele anunciou que o governo do Estado abre mão dos recursos que seriam repassados para aplicar na rede estadual de saúde. “Os recursos oriundos de emenda da bancada federal para a saúde serão 100% repassados aos municípios”, disse.

Em nota publicada nas redes sociais, Lobão limitou-se a afirmar que os parlamentares não arrecadam recursos, nem são gestores de tais meios financeiros. Contudo, nenhuma linha é dedicada a explicar por que os três senadores se negam a assinar a emenda de bancada, que destinaria recursos para a saúde dos municípios maranhenses.

“Os deputados e senadores pedem, solicitam, subscrevem as chamadas emendas parlamentares demonstrando total interesse no sentido de ajudar os municípios.”, escreveu o peemedebista.

O vice-presidente da Câmara dos Deputados, André Fufuca (PP), criticou a quebra do acordo pelos senadores com os prefeitos e pediu para que eles sejam pressionados pelos prefeitos e pela população. “Cobrem os senadores do Maranhão que nos ajudem. Vou cumprir a minha palavra (dada aos prefeitos) e peço que os outros também cumpram”, afirmou.

Para ser aprovada, a emenda impositiva de bancada deve ser assinada por 12 dos 18 deputados federais e dois dos três senadores do Maranhão. A emenda já tem a assinatura de 17 deputados federais. Apenas o deputado federal João Marcelo (PMDB) não assinou ainda o documento. Os senadores Roberto Rocha, Lobão e João Alberto seguem irredutíveis. O prazo para que a emenda impositiva da bancada federal seja aprovada é até as 18 horas desta sexta-feira (20).

VEJA AS MANIFESTAÇÕES DE CADA UM 

FLÁVIO DINO

Um absurdo que uma parte da bancada federal negue uma emenda parlamentar e prejudique a saúde dos municípios, supostamente para me atingir.

Declarei publicamente que os recursos oriundos de emenda da bancada federal para a saúde serão 100% repassados aos municípios.

E o mais importante: é inadmissível que alguns senadores e deputados prejudiquem a população para supostamente me atingir.

EDISON LOBÃO

O Governador Flávio Dino mente ao dizer que os senadores do Maranhão têm a intenção de prejudicar os municípios do estado negando-lhes recursos para a saúde pública.

Os parlamentares não arrecadam recursos, nem são gestores de tais meios financeiros. Os deputados e senadores pedem, solicitam, subscrevem as chamadas emendas parlamentares demonstrando total interesse no sentido de ajudar os municípios.

A responsabilidade real de resolver os problemas de saúde pública, de saneamento, de rodovias é, isto sim, do governo do estado e supletivamente do governo federal e dos próprios municípios, infelizmente estes enfrentando graves dificuldades neste momento.

Já em anos anteriores não recusei solidariedade ao governo Flávio Dino, assinando emendas que lhe favoreciam.

Acho que o governador empregaria melhor o seu tempo cuidando dos interesses legítimos do povo em vez de dedicar-se com tanto ardor à promoção de selvagens lutas políticas.

O que se trata nesta fase é de recursos federais. Pois que sejam destinados pelo governo federal à saúde e a outras políticas públicas através dos seus ministérios.

O resto é falatório irresponsável.

ROBERTO ROCHA

É indigna a posição do governador de tentar indispor a bancada de senadores com os prefeitos do Maranhão.

Afronta o bom senso e degrada as regras básicas da convivência política sugerir que os representantes do Estado na Câmara Alta estejam contra a saúde da população.

As emendas parlamentares, como bem diz o nome, são prerrogativas dos deputados e senadores do Maranhão. Cabe a eles, e somente a eles, decidir o destino das emendas. É grotesco que o chefe do executivo vocifere publicamente como se o recurso estivesse sendo retirado dos cofres estaduais. O que está em discussão é o orçamento da União, e não do Estado. Por acaso, em algum momento o governador convidou deputados federais e senadores para discutir o orçamento estadual?

Hoje mesmo, cumpri extensa agenda iniciada pela manhã em São Paulo, com o governador Geraldo Alckmin, e acertamos sua participação no dia 11/11, em Imperatriz, no nosso Seminário de Revitalização dos Rios Maranhenses e suas Nascentes. Na oportunidade, debateremos a crise hídrica do Rio Tocantins.

Em seguida, com o ministro Bruno Araújo, das Cidades, estive em Buriticupu entregando casas e Imperatriz, onde promovi o encontro do ministro com diversos prefeitos da região, em busca de soluções para os graves problemas que enfrentam os gestores municipais.

Voltei à noite para Brasília exatamente para equacionar, na sexta-feira, a questão das emendas, com diálogo e responsabilidade. Infelizmente fui surpreendido, na volta, pelo destempero incivilizado e orquestrado entre o Governo e a mídia de aluguel, com o propósito de desqualificar quem, com muito esforço, dedica-se à honrosa missão de representar o Estado.

Faço política aproximando pessoas, estreitando a distância entre os problemas e suas soluções. Com gestos e ações efetivas, e não com fanfarras retóricas para intrigar a população com seus representantes.

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