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Mulheres indígenas de tribos do Maranhão marcam presença na Marcha das Margaridas em Brasília

Cíntia Mariquinha lidera uma tribo indígena na cidade de Grajaú, localizada no centro-sul do Maranhão. Maria Antônia dos Santos coordena… [ ]

14 de agosto de 2019

Cíntia Mariquinha lidera uma tribo indígena na cidade de Grajaú, localizada no centro-sul do Maranhão. Maria Antônia dos Santos coordena um movimento de quebradeiras de coco de municípios da região oeste do Estado. Nordestinas, maranhenses, mulheres, trabalhadoras que, apesar de lutarem por segmentos distintos, têm um único objetivo: ter seus direitos e de seus povos respeitados.

A índia e a quebradeira de coco saíram de terras maranhenses, junto com outras centenas de mulheres, em uma grande caravana composta por 80 ônibus. As caravanas do Maranhão receberam o apoio da Assembleia Legislativa.

As índias e quebradeiras de coco maranhenses percorreram mais de mil quilômetros, enfrentando quase 30 horas de estrada, para se unirem a outras milhares de mulheres de todos os cantos do Brasil e de 26 países, nesta terça e quarta-feira,  13 e 14 de agosto, para participar da 6ª Marcha das Margaridasem Brasília (DF), em protesto contra a retirada de direitos, machismo e qualquer tipo de violência.

A índia Mariquinha, da tribo Guajajara, se preocupa com a futura geração de seu povo e pede que sua cultura seja mantida. “Queremos ter o direito de viver livres. Nossos filhos estão crescendo e tudo que queremos é nossa cultura viva. Queremos manter tudo o que conquistamos até hoje”.

A grajauense falou ainda da valorização de suas terras. “O significado da nossa terra é sagrado. Está tudo interligado. É pássaro, é água, é terra, é nossa vida, é rito, ritual, alimentação e a gente também quer ser ouvida. As políticas públicas precisam chegar às bases para lutarmos por nosso território, que é sagrado para nós. Quero saber onde é o nosso espaço, o quanto a mulher guajajara tem o espaço na política partidária, na ocupação de cargos públicos, ou até onde podemos dialogar com o governo municipal, estadual e federal Queremos ser ouvidas”.

Cíntia Mariquinha e mais 70 índios de sua tribo saíram do Parque da Cidade em direção à Esplanada dos Ministérios, nesta terça (13), na 1º Marcha das Mulheres Indígenas, onde se juntaram a outros milhares de índios de 300 etnias do Brasil, percorrendo cerca de 3 km, com pedidos de socorro em prol da saúde, educação e da defesa das terras indígenas que sofrem com a invasão e desmatamento.

Com o tema “Território: nosso corpo; nosso espírito”, pela primeira vez, tribos do Maranhão, Pará, Acre e de outros Estados percorreram ruas de Brasília com um único destino: chegar à sede do Governo Federal e do Congresso Nacional para pedir mais atenção e proteção às aldeias.

Mulheres indígenas

A ‘Marcha das Mulheres Indígenas’ marcou o início da Marcha das Margaridas, aberta oficialmente na noite desta terça, no Parque da Cidade, com a presença de mulheres de todos os cantos do país.

A maranhense quebradeira de coco Maria Antônia dos Santos, 67, uma das líderes do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu da Baixada (MIOCB) mostrou sua força e garra na Marcha: “sou quebradeira de coco reivindicando um direito que é de todas as mulheres que carregam essa bandeira pesada, de luta. É um prazer estar aqui, não de coração livre, mas de muita força e garra, para que tenhamos melhorias em termo de vida, principalmente com o governo de hoje. Temos sobrevivido, porque somos fortes e resistentes. Estaremos sempre na luta para melhorar de vida”.

Nesta edição, a Marcha, que é a maior da América Latina, teve como tema “Margaridas na luta por um Brasil com soberania popular, democracia, justiça, igualdade e livre violência”. Além de indígenas e quebradeiras de coco, a ação reuniu agricultoras, camponesas, sem-terra, acampadas, assalariadas, trabalhadoras rurais, artesãs, seringueiras, pescadoras, ribeirinhas, quilombolas e quem mais estiver no cenário rural, unidas em um grande clamor.

A Marcha das Margaridas fez o mesmo percurso da Marcha das Mulheres Indígenas, entre o Parque da Cidade e a Esplanada dos Ministérios, com encerramento nas proximidades do Congresso Nacional, consagrando-se como um importante espaço e uma importante estratégia para as “margaridas” conquistarem visibilidade, reconhecimento social, político e cidadania plena.

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